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quinta-feira, setembro 25, 2008

Síndrome de Michael

Um misto de compaixão e sensação de a justiça ter se realizado veio à minha mente quando eu vi Michael (nome fictício) entrar na quadra.

É preciso explicar que a entrega de boletins de nosso colégio realizou-se na quadra de esportes. Nós, professores, nos assentamos a mesas nas quais cartazes foram colados contendo o nome de nossa disciplina. A programação se desenrolava imperturbavelmente.

Foi quando entrou a mãe de Michael. Em poucos minutos, com o boletim do filho nas mãos, ela percorria as mesas espalhadas pelos cantos da quadra, falando com cada professor. Seu ar trazia uma espécie de decepção contagiante. Depois, enquanto eu conversava com o irmão de Michael, o próprio chegou.

Michael vinha de mansinho, como quem sabe o que lhe espera. Eu e outro professor começamos a conversar com ele. Não estou falando de um aluno com problemas de aprendizagem. Michael, como outros adolescentes, não gosta de estudar. O rapaz acostumou-se a não se preocupar, porque no final ele pode alcançar a média através da recuperação paralela. Só que no presente bimestre, Michael descuidou tanto de seus estudos que, quando quis recuperar, já era tarde. “E você não sabia que seu boletim viria com notas ruins?”, perguntei a Michael. “Saber, eu sabia”, foi sua resposta. “Mas achei que daria um jeito no final”, ele completou, estarrecido diante de seu próprio resultado escolar.

Você já se deu conta de que coisas assim não acontecem somente a adolescentes em relação a seus estudos? Você trabalha e não tem hora para almoçar. Não consegue mais se comunicar com sua esposa, que também vive presa às suas próprias atividades. Um dia, vocês acordam e se olham – o espanto é tão grande que um não estranharia se o outro lhe perguntasse o nome. O casamento acaba, porém você não é pego de surpresa. Você sabia que as circunstâncias conduziam o relacionamento a um fim prematuro. Acontece que você simplesmente achou que daria um jeito no final.

Considere isto: uma ferramenta para avaliar a acuidade de nossas escolhas é a análise prévia das consequências que elas trarão. Se levarmos a sério essa análise, por uma questão de racionalidade seremos forçados a ajustar nossa conduta para atingirmos o fim desejado. O problema é que a maioria das pessoas não usa de racionalidade, embora não deixe de enxergar os resultados de suas escolhas a longo prazo. Já ouvi pessoas dizerem que preferem continuar fumando, mesmo correndo o risco de morrerem vitimadas pelo câncer. “Ninguém vive para sempre”, argumentou certa vez um senhor quando lhe perguntei porque ele não parava de fumar, apesar das advertências feitas por um médico.

A irracionalidade nas escolhas leva a um desajuste entre nossa postura e nossa expectativa. Ninguém quer ser infeliz, contrair doenças mortais ou sofrer com um divórcio, mas, através de seu modo de vida, as pessoas projetam esses males. Chamo o desalinho entre escolha e expectativa de “síndrome de Michael”. Os portadores da síndrome de Michael sempre contam com resultados inesperados, soluções de última hora, intervenções mágicas – até que a realidade lhes dê um forte soco no estômago.

Mesmo no campo espiritual, impera a mesma lógica de racionalidade: colheremos o que plantarmos (Gálatas 6:7-9). Não se trata de salvação pelas obras. É questão de coerência. Somos constantemente lembrados de que haverá um julgamento e, em razão da expectativa em torno desse evento, temos de ajustar nossa conduta. Sendo impossível fugir da “ira futura”, resta viver para produzir o “fruto que mostre o arrependimento” (Mateus 3:7 e 8; NVI).

Dentro dessa perspectiva, o apóstolo Pedro formulou a pergunta mais sensata: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam?” Felizmente, o mesmo Pedro nos fornece a resposta: “Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2 Pedro 3:11 e 12; NVI). Somente avaliando previamente a solenidade da volta de Jesus (“o dia de Deus”), poderemos reajustar nossa vida pela fé, sendo o tipo de pessoa que viva de modo santo e piedoso. Será o suficiente para superar a síndrome de Michael em nossa vida espiritual.

(Douglas Reis, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia e mantenedor do blog Questão de Confiança.)

quarta-feira, junho 04, 2008

A arte de calar

É sinal de inteligência e sabedoria falar pouco, falar bem e não falar mal de ninguém.

Contudo, calar-se é ainda mais importante, quando calar-se é dizer tudo.

Há quem se cale por não ter realmente nada para nos dizer, mas há também quem se cale por omissão, quando seria um dever falar, escrever, gritar, colocar a boca no trombone, como se dizia antigamente.

Calar-se na hora certa e pelos motivos certos é uma verdadeira arte cujas regras um pequeno livro do Abade Dinouart quer nos transmitir. Autor francês do século XVIII, suas admoestações para que façamos silêncio ainda hoje são pertinentes.

Sutileza não lhe falta. Ao mesmo tempo que recomenda o silêncio, lembra que há silêncios falsos, aqueles que simulam uma sabedoria que, de fato, inexiste. Nem sempre calar-se significa profundidade de pensamentos. Pelo contrário, é camada de verniz que recobre um vazio sepulcral.

Mas há ainda outros silêncios, e alguns deles diabólicos. Há o silêncio manipulador, o silêncio torturante, o silêncio chantagista, o silêncio rancoroso, o silêncio conivente, o silêncio da zombaria, o silêncio imbecil, o silêncio do desprezo. Há pessoas que matam com seu silêncio. Há silêncios que esmagam a justiça e a bondade, na calada da noite.

Por isso o silêncio rico de significado é ainda mais apreciável e luminoso.

Falo do silêncio que prenuncia novas palavras.

Falo do silêncio que é solidariedade na dor.

Falo do silêncio que soluciona cisões.

Falo do silêncio que pergunta.

Falo do silêncio que perdoa.

Falo do silêncio que ama.

O silêncio mais puro é aquele que guarda a confidência. Este silêncio jamais é excessivo. Não se deve apregoar aos quatro ventos o que foi murmurado na intimidade da amizade e do amor.

O silêncio mais sábio é aquele que fazemos diante dos impertinentes, intolerantes e desbocados. É o silêncio do Cristo inocente diante dos acusadores, o silêncio dos espaços infinitos diante da quase infinita capacidade nossa de falar ou escrever sem razão.

Calar da maneira certa é deixar que uma voz mais profunda seja ouvida. A voz severa, a voz serena, a voz suave e firme da verdade.

O verdadeiro silêncio diz a verdade que não se pode calar.

O verdadeiro silêncio nunca será cedo demais.

Quero ouvir o silêncio que tudo explica.

(Gabriel Perissé, escritor e doutor em Filosofia da Educação. Texto publicado no site Kplus.)

Nota: "Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se. [...] Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!" (Tiago 1:19, 26)

terça-feira, março 18, 2008

Solidão necessária

Como expressa bem o texto abaixo, publicado hoje na Folha de S.Paulo, "sozinho" não significa necessariamente "solitário". Ficar sozinho de vez em quando, longe de distrações, barulho e falação, é necessário – para sonhar, planejar, refletir, reavaliar, melhorar.

O silêncio, em alguns casos, também é sinônimo de sabedoria. Como adverte Salomão, a tagarelice pode ser “como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina” (Provérbios 12:18). “Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios por entendido” (Provérbios 17:28).

Acima de tudo, o silêncio é imprescindível para ouvir a voz de Deus. Era no silêncio da madrugada que Jesus obtinha forças para enfrentar as provações do dia. Após a multiplicação dos pães, “tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho” (Mateus 14:23). Em outra ocasião, também “de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Marcos 1:35).

É uma pena que hoje em dia as pessoas fujam tanto do silêncio e da introspecção, inclusive nas igrejas.

(Marily Sales dos Reis)

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O silêncio

O vento frio, aos golpes, anunciava que o inverno estava se aproximando. Nuvens cinzentas cobriam os Alpes, como navios que navegavam velozes, levadas pelo vento. Era um velho mosteiro de freiras que praticavam o silêncio, costume abençoado que libertava as pessoas da obrigação de conversar com os vizinhos às mesas de refeições. Não ser obrigado a conversar é uma felicidade.

É raro que as pessoas entendam isso. Eu iria dar uma fala, faltava ainda meia hora e procurei um lugar escondido onde pudesse ficar quieto com os meus pensamentos. Achei-o sob uma escada, quase invisível e ali me escondi. Foi então que uma pessoa delicada me viu ali sozinho e bondosamente pensou: "O professor Rubem Alves está abandonado..." Dois minutos depois meu refúgio estava cheio de pessoas falantes que destruíram a minha solidão... Os tagarelas alegres são emissários do demônio porque com suas palavras tolas eles nos tiram das águas profundas em que nos encontrávamos. Deus é o Grande Mar. A alma é um peixe. Os poetas sabem disso.
T.S. Eliot escreveu: "Nosso olhar é submarino. Olhamos para cima e vemos a luz que se fratura através das águas inquietas..."

Hóspede naquele mosteiro, eu deveria obedecer aos horários e participar dos eventos. Um deles me horrorizou: participar das celebrações litúrgicas às 6h, às 12h e às 18h.

O santuário era um velho celeiro de madeira octogonal, muito grande e escuro, sem janelas. Os arquitetos, para pôr luz nas sombras, abriram buracos nas paredes, cobrindo-os com vidros coloridos. A luz do sol, entrando pelos orifícios e atravessando os vidros coloridos, faziam desenhos no espaço vazio, desenhos que se deslocavam à medida em que o sol caminhava pelo céu.

Os bancos, poucos, seguiam três lados do octógono; a mesa, iluminada com velas, tinha no seu centro um ícone de Jesus ao estilo bizantino. Cheguei no horário. Poucas pessoas. Os mosteiros não são lugares que atraiam turistas.

Fiquei à espera do início da liturgia, que deveria iniciar-se suiçamente ao repicar dos sinos às 6h da manhã. Os sinos repicaram mas nada aconteceu, nenhuma reza, nenhum hino, nenhuma leitura bíblica. Pus-me a examinar o espaço e as luzes que se entrecruzavam. O exercício de simplesmente ver tem o efeito de fazer parar o pensamento. Alberto Caeiro já dizia que "pensar é estar doente dos olhos..."

Os pensamentos, produtos internos da cabeça, são perturbações que distorcem a pureza da visão.
Aí, ao misticismo do ver seguiu-se o misticismo do ouvir. O vento descia furioso das montanhas, em golpes, lufadas que torciam a estrutura de madeira, provocando aqueles ruídos típicos de navios à vela batidos pelo vento. Ao lado do santuário havia uma plantação de macieiras nuas, o vento havia arrancado suas folhas todas, somente seus galhos pelados ficaram. Quando o vento sacudia a galharia era como se houvesse um mar enraivecido quebrando ondas. Aí os sons e as cores começaram a invocar poemas ancestrais. "E a terra era um abismo sem forma e o vento de Deus soprava violentamente sobre a superfície das águas... E disse Deus: "Haja luz..." E aí meus pensamentos foram possuídos pela poesia.

Mas e a liturgia? Já eram 6h20. Percebi então que a liturgia havia começado às 6h, quando os sinos tocaram... Só silêncio...

(Rubem Alves, educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp. Texto publicado na Folha de S.Paulo.)

quarta-feira, março 05, 2008

Organize-se

Para saber se você é organizado, responda à seguintes perguntas:

● Suas chaves desaparecem na hora de sair de casa?
● Suas contas se escondem na hora de pagá-las?
● Os nomes de arquivos fogem da sua memória quando você quer usá-los?
● Normalmente você percebe que não está com o material necessário para trabalhar depois que já começou a trabalhar?
● É comum você engatinhar pelo chão à procura do controle remoto da TV?

Se você gasta mais de cinco minutos por dia procurando as coisas que você precisa, então sua desorganização está interferindo na sua produtividade.

Dicas

● Dedique tempo à organização – Raramente o tempo gasto com organização é tempo perdido. Algumas pessoas têm a idéia equivocada de que ser organizado e metódico é ser chato. Esqueça o mito de que desorganização está relacionada com genialidade. Muitas pessoas brilhantes e criativas são altamente organizadas. A maioria das pessoas extremamente bem-sucedidas são muito organizadas. Por outro lado…

● Evite organização obsessiva – Algumas pessoas organizam para evitar trabalhar. Se você arruma sua mesa e arquiva seus papéis a fim de procrastinar, pare! Um sinal de uma personalidade organizada em excesso é a idéia de que diversão é gastar quantias extravagantes em papelarias. Trabalhe primeiro e esbalde-se depois com aqueles produtos novos e de cores combinando.

● Determine um local – Escolha e então use sempre um local especial para colocar chaves, carteira, celular ou qualquer outro item que você costume perder tempo procurando. Por exemplo, se você tiver um gancho – ou uma gaveta específica – para automaticamente colocar as chaves assim que entrar em casa, você economizará várias horas a cada ano e chegará a tempo para os compromissos com mais freqüência.

● Faça da pontualidade um hábito – Pessoas desorganizadas costumam ser atrasadas. Estar sempre correndo aumenta a pressão sangüínea e produz picos de adrenalina, que prejudicam a saúde. Você se sentirá mais tranqüilo e sob controle se deixar tempo suficiente para chegar em tempo. Chegar atrasado é sempre um insulto sutil à pessoa que fica esperando. É uma forma não-verbal de dizer: “Meu tempo é mais importante do que o seu”. Pare de esnobar os outros!

● Coloque em ordem seu ambiente de trabalho – Comece e termine cada sessão de trabalho com cinco minutos de arrumação. Você se sentirá melhor com seu espaço, e a confusão começará a desaparecer.

● Centralize seus compromissos – Tenha todos os compromissos, listas de pendências e planos de trabalho em um único local. Consiga uma agenda em papel ou digital e use-a sem exceção. Algumas pessoas têm várias agendas – uma para os planos da família, uma para o trabalho, etc. Quando são usados vários sistemas, as datas podem entrar em conflito e alguns compromissos podem ser completamente esquecidos.

● Fique longe de Post-its – Notas auto-adesivas são a perdição dos profissionais. Faça suas anotações em documentos que não se percam. Lembre-se também de, quando anotar um número de telefone, anotar o nome da pessoa a quem se refere o telefone. Quantas vezes você já não encontrou um número rabiscado e não conseguiu lembrar por que ele estava ali?

● Use um programa de computador para anotar e articular referências – Programas como o End Notes são uma bênção para estudantes. Eles não apenas economizam horas de digitação e previne erros, mas também podem ser usados para outras funções. Ao ler um artigo, em vez de rabiscar nas margens ou em notas auto-adesivas, crie um parágrafo de resumo no End Notes. Você terá meio caminho andado quando começar um trabalho de crítica literária. Se você é do tipo que esquece o nome de pastas e arquivos, digite cada nome na seção apropriada do End Notes para que você consiga encontrar o texto depois.


(Mary McKinney, psicóloga na Successful Academic Consulting. Texto publicado no site www.successfulacademic.com. Traduzido e adaptado por Marily Sales dos Reis.)

terça-feira, janeiro 29, 2008

Tempo é sucesso

As decisões que você toma a cada hora, cada dia, cada semana, ao longo de cada ano, definem sua vida. As escolhas determinam se você será ou não bem-sucedido.

Uma administração cuidadosa do seu tempo é fundamental. Em vez de permitir que acontecimentos externos e pressões controlem você, faça escolhas deliberadas quanto ao uso do tempo. Desenvolver uma vida coerente com seus desejos e valores mais profundos consiste em estabelecer prioridades, fazer planos e, então, prosseguir de acordo com esses planos.

● Estabeleça metas de longo prazo — Transforme seus sonhos em realidade permitindo-se elaborar uma visão do seu futuro. Pense grande. Coloque suas metas num lugar visível para ajudá-lo a permanecer motivado.

● Determine suas prioridades — Use as metas de longo prazo para produzir ações concretas, que o levarão na direção que você deseja. Classifique esses passos de forma que os itens mais importantes possam ser trabalhados primeiro.

● Questione-se — Pergunte-se constantemente: “Qual a melhor forma de usar meu tempo neste exato momento?” Se não for importante ou urgente, não faça.

● Resolva a parte mais difícil primeiro — Para desenvolver uma vida eficaz, comece cada dia trabalhando os itens que o deixa mais ansioso. Depois de enfrentar o trabalho mais difícil, as próximas atividades parecerão mais fáceis.

● Enxergue longe — Planejar o tempo nunca é tempo perdido. Reserve períodos semanais regulares para avaliar tanto as metas de curto prazo como as de longo prazo. Separe tempo a cada dia para trabalhar suas altas prioridades. Analise como foi a semana anterior e veja o que você precisa mudar a fim de ser mais eficaz.

● Adie tarefas secundárias — Resista à tentação de resolver pequenas pendências primeiro. Comece com as altas prioridades. As coisas mais simples podem esperar até você ter um intervalo.

● Escreva os resultados — Se as grandes listas de pendências fazem você se sentir oprimido, tente escrever listas de tarefas cumpridas no fim de cada dia. Fazer um acompanhamento de suas realizações pode ajudá-lo a permanecer motivado.

● Reserve seu primeiro horário — Separe, para as tarefas mais desafiadoras, as horas do dia em que você costuma estar mais disposto. Aproveite bem esse tempo.

● Identifique seu horário de maior produtividade — A maioria de nós atinge o ápice intelectual na parte da manhã. Começar o dia com um período de produtividade também nos ajuda a estar de bem conosco no resto do dia. Contudo, alguns de nós são verdadeiras “corujas” — produzem mais à noite, quando as distrações diminuem. Use seu melhor horário com sabedoria.

● Cronometre o tempo — Antes de começar uma atividade, marque o tempo e, depois, anote quanto tempo você levou para concluí-la. Observe quais são as situações em que você costuma subestimar ou superestimar o tempo de realizar uma atividade. Podendo prever quanto tempo você leva para realizar algo, será possível fazer um planejamento mais preciso.

● Aproveite pequenos intervalos — Tenha uma lista de pequenas pendências para intervalos entre os compromissos. Tenha sempre em mãos algo para ler no caso de você estar numa fila, no ônibus ou esperando o início de algum evento.

● Aproveite seu tempo livre — Para permanecer produtivo, você precisa fazer intervalos. Separe tempo para rejuvenescer.

(Mary McKinney, psicóloga na Successful Academic Consulting. Texto publicado no site http://www.successfulacademic.com. Traduzido e adaptado por Marily Sales dos Reis.)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Feliz olhar novo!

(...)

O ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que machucou. Normal.

O próximo ano não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim…

(...)

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento. Lembre-se sempre do dito popular: "Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade".

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro e perdoar.

O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular… ou… pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você!

Pode ser. E que seja!

FELIZ OLHAR NOVO!

(...)

(Autor desconhecido)

Nota: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28).

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Sonhos

"Sonhos são a matéria-prima de qualquer realização". Não sei quem disse essa frase, mas são palavras sábias. Sonhar é fundamental para qualquer conquista. É aí que começa a história de uma pessoa bem-sucedida.

Contudo, pessoas frustradas também sonham. Se não sonhassem não se frustrariam. A diferença está na forma como cada um busca a realização dos seus sonhos. Uns apenas sonham. Outros sonham de mangas arregaçadas. E alguns sonham de mangas arregaçadas e olhando para o alto.

Para estes últimos, Deus é quem efetua “tanto o querer como o realizar” (Filipenses 2:13). Apesar de insistirem, resistirem e persistirem, dependem não de seu próprio potencial, mas dAquele “que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). Estes, sim, não conhecem frustração, derrota ou barreiras intransponíveis, “porque para Deus não haverá impossíveis” (Lucas 1:37).

Por isso, meu desejo é que 2008 seja para você um ano de muitos sonhos, mas principalmente de muita dependência de Deus, para que sua realização seja garantida.

Sucesso!

(Marily Sales dos Reis)

terça-feira, setembro 11, 2007

Escolha ser feliz

Se tem uma coisa que eu admiro no meu marido é o seu otimismo. É incrível como ele sempre consegue enxergar algo bom nas situações mais desalentadoras. Agradeço a Deus por ter colocado essa pessoa tão especial ao meu lado para me ensinar essa virtude.

No mundo injusto em que vivemos, muitas vezes não é fácil ser assim otimista, manter a fé e a esperança, perdoar, superar, ter domínio próprio, encontrar motivos para sorrir e reverter situações que às vezes são aparentemente irreversíveis. Fácil é colocar-se na defensiva, achar um bode expiatório, dar uma de vítima, entregar-se à lamentação e à revolta e deixar a vida nos levar.

Mas não é essa vida medíocre que Deus deseja para nós. Ao contrário do que disse outro dia uma professora agnóstica mal-informada, a vida do cristão é uma vida de superação. Mesmo que as coisas não sejam como gostaria, o lema do cristão é: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13, 14).

Por isso, se você está se sentindo injustiçado, frustrado, desanimado ou incapaz, não se entregue. Faça como o autor do texto a seguir: quaisquer que sejam as circunstâncias da sua vida, escolha ser feliz!

“Talvez eu venha a envelhecer rápido demais, mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.

“Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer da minha vida, mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.

“Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais, mas jamais irei me considerar um derrotado.

“Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda, mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.

“Talvez um dia o sol deixe de brilhar, mas então irei me banhar na chuva.

“Talvez um dia eu sofra alguma injustiça, mas jamais irei assumir o papel de vítima.

“Talvez eu seja enganado inúmeras vezes, mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.

“Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros, mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.

“Talvez algumas pessoas queiram o meu mal, mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.

“Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris, mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.

“Talvez hoje eu me sinta fraco, mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.

“Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações, mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas." (Aristóteles Onassis)

(Marily Sales dos Reis)

sexta-feira, julho 20, 2007

Slow down – diminua o ritmo

Já vai para dezesseis anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra.

Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito nesse prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações e trabalham num esquema bem mais slow down. O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles, com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:

1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel, Biocare (nada mal, hein?);
5. Para se ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nesses nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam muitos dos nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles.

Vou contar para vocês uma breve história só para dar uma noção.

Na primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo, e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, quando o estacionamento ainda está vazio, e você deixa o carro lá no final."

Sua resposta foi simples assim:

"É que chegamos cedo. Então, temos tempo de caminhar – quem chegar mais tarde, já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?"

Olha a minha cara! Ainda bem que levei essa logo na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos dali para frente.

Há um grande movimento na Europa hoje chamado slow food. A Slow Food International Association, cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é contrapor-se ao espírito do fast food e o que ele representa como estilo de vida, que o americano endeusou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do slow food está servindo de base para um movimento mais amplo, chamado slow Europe, como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" geradas pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter", em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana), são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada slow atitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do fast (rápido) e do do it now (faça já).

Portanto, essa "atitude sem pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade", com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos stress. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do “local” - presente e concreto - em contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos felizes fazem com prazer o que sabem fazer de melhor.

Gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados "devagar se vai ao longe" ou, ainda, "a pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo.

E quer saber do melhor? Parabéns por você ter lido até o final! Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.

Pense e reflita. Até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família, de ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas? Poderá ser tarde demais... saber aprender para sobreviver...

Autor desconhecido (brasileiro que vive na Europa).

Nota: Já dizia Jesus: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? [...] Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:25, 33, 34)

quarta-feira, junho 06, 2007

Não tenha medo de ser diferente

Peço licença ao meu amigo Leandro Quadros para usar o mesmo título de um artigo do seu blog (por sinal, muito bom). Quando li esse texto, pensei: que privilégio encontrar alguém autêntico! Na mesma hora, lembrei de outros dois amigos, que considero duas das pessoas mais sinceras e originais que já conheci. Sempre falo para eles que admiro muito essas suas qualidades e, dessa vez, não foi diferente. Fiz questão de enviar um e-mail para os dois dizendo: “É muito bom conviver com pessoas verdadeiras, sinceras, originais e alegres como vocês. A autenticidade de vocês é inspiradora. (PS.: Valeu pelo abraço, me fez muito bem. Hoje amanheci com o pé esquerdo...)”. Nesse dia, eu havia começado o dia meio triste e desanimada por causa de uns problemas, quando, de repente, entraram na minha sala esses dois colegas de trabalho para fazer a “terapia do abraço”. É assim que chamamos a dose diária de abraço que trocamos uns com os outros logo no início do dia. Se você já recebeu um abraço assim caloroso, sabe que é uma verdadeira terapia. “O abraço é milagroso, é medicina realmente muito forte. O abraço como sinal de afetividade, de carinho e de perdão pode nos ajudar a viver mais” (site Portal Verde).

Se tem uma coisa que eu admiro nas pessoas é essa autenticidade. Posso contar nos dedos quantas pessoas realmente autênticas eu conheço. O interessante é que todos procuram amigos sinceros, mas poucos têm coragem de ser. Por quê? Segundo os psicólogos Les e Leslie Parrot, no livro Relacionamentos, “todos nós temos o desejo natural e inato de ser reconhecidos, mas freqüentemente reprimimos a nossa vulnerabilidade porque ficamos com medo”. E assim vamos nos acomodando com a superficialidade e, pior, com a falsidade.

Mas o conselho bíblico é: “não sejam como os hipócritas” (Mateus 6:5). Em outras palavras: não usem máscaras, sejam vocês mesmos, assumam sua verdadeira identidade. Foi essa uma das lições que Jesus, o Mestre dos mestres, veio nos ensinar. Aliás, são deles as palavras citadas acima. Ninguém melhor do que Ele para condenar a hipocrisia. Alguém que vivia cercado de pessoas pobres e simples, mulheres (tão discriminadas na época), leprosos (condenados à clausura) e outros tipos de pessoas consideradas como escória da sociedade. Alguém que não se deixava intimidar pelo que os outros poderiam dizer ou pensar, mesmo correndo o risco de ser rejeitado, desprezado e até mesmo assassinado. Uma autenticidade surpreendente!

Talvez você esteja pensando: “Mas eu não vou correr esse risco de ser rejeitado”, como eu já pensei muitas vezes. Bem, a escolha é sua, mas saiba que, “se usarmos nossas máscaras por muito tempo, poderemos evitar a rejeição e até conquistar admiração, mas nunca nos sentiremos realizados. E isso significa que nunca conheceremos a verdadeira intimidade” (Les e Leslie Parrot). Sabe aquela sensação de liberdade, de alívio, de prazer indescritíveis que sentimos quando abrimos nosso coração a Deus ou quando desabafamos com aquela pessoa especial? É isso que podemos experimentar constantemente se tivermos a coragem de ser nós mesmos em todos os nossos relacionamentos.

Ninguém merece nem precisa viver sob o peso das aparências, seja no casamento, no trabalho ou em qualquer outra situação. O que o mundo precisa é de gente mais simples e transparente, como Jesus e como meus amigos Leandro, Odiléia e Ivacy. Por isso, não tenha medo: seja diferente, seja você mesmo. Você vai se surpreender com os resultados.

Marily Sales dos Reis

sexta-feira, maio 18, 2007

Átomos independentes

Dê uma olhada nas famílias ao seu redor. Seus membros são unidos em amor e empatia? Ou são simplesmente átomos independentes? Os pais conhecem seus filhos? Os filhos se rebelam e rejeitam a autoridade dos pais? Sua família é ocupada demais para ser uma família? O que aconteceu com as famílias, afinal?

É para tentar responder a essa última pergunta e ajudar a encontrar soluções para a situação caótica da família moderna que Jim Hohnberger, criador do Ministério Empowered Living, conta a seguinte alegoria em seu livro Vida Plena de Poder, da Casa Publicadora Brasileira:

Voltemos as páginas da história até cerca de seis décadas, em torno de 1945, perto do fim da Segunda Guerra Mundial. Em meio a um lindo bosque, onde a encosta de uma colina forma um anfiteatro natural, um ser de impressionante beleza está falando para um pequeno grupo de seguidores. Com voz majestosa e porte real, Satanás dirige-se aos demônios-chefes. “Famílias!”, exclama com voz empostada, dando largos passos diante deles. “Eu controlo a maior parte deste mundo, mas não consigo realizar a metade do que quero por causa dessas famílias nojentas! Muito bem, vamos dar um fim nisso!

“Devemos planejar tudo com muito cuidado, pois, desde aquele primeiro casamento no Éden, as famílias têm sobrevivido a guerras, fomes e conflitos políticos sociais. ... É como uma cidadela escorraçada, mas ainda forte o suficiente para proteger seus membros das milhares de facetas de nossa influência. Temos que mudar essa situação! As famílias não poderão ser eliminadas completamente. Por isso, devemos minar sua influência protetora, deixando, todavia, o exterior intacto e aparentemente saudável. Devemos separar os membros da família em tantas partes diferentes que eles lembrem átomos independentes. ...

“... Nesta primeira década, vamos deixar que façam progresso e prosperem. ... Esta geração sobreviveu à Depressão e depois de lutar, venceu a guerra. Agora, todos estão exaustos. Perderam sua juventude, e sua atenção está voltada para a tentativa de viver aquilo que adiaram. ...

“Na segunda década, poderemos ser mais proativos... . Com os avanços nos meios de transporte, será mais fácil viajar. Assim, faremos que viagens para longe de casa sejam, tanto quanto possível, uma parte integrante do trabalho... .

“Em sua pressa para recuperar o tempo perdido, esta geração fará aquilo que seus pais evitaram: dívidas. E dívidas, combinadas com uma economia apertada, dão origem à moderna família com duas fontes de renda. No passado, a necessidade sempre foi o fator motivador para as mães trabalharem, mas as que voltaram a trabalhar hoje são vanguarda de uma nova e poderosa mudança de atitude. Esta é a primeira geração que vai deixar o lar para manter um padrão de vida, em vez da vida propriamente dita.

“E a televisão... controlaremos a televisão. Ah, a princípio ela parecerá muito inocente e simpática. ... o lento processo de destruição será tão avançado que poucos, caso haja alguém, terão noção do que estão vendo. ...

“Na terceira década, começaremos a obter a colheita dos nossos esforços. Os jovens que cresceram sem a severa disciplina de privações pela qual seus pais passaram e que foram criados em uma cultura que dá mais valor à forma religiosa do que à sua substância descartarão os sistemas de crenças de seus pais e buscarão sentido para a vida em padrões de vida suntuosos e no ativismo social. Unidos mais pela insatisfação com o status quo do que por uma visão coerente do futuro, eles abraçarão quase qualquer conceito que seja diametralmente oposto ao sistema de comportamento ‘normal’, o qual perceberam como hipócrita na vida de seus pais. ...

“Pela metade da década, as mulheres vão inundar o mercado de trabalho. As creches vão proliferar. As crianças deixarão a companhia dos pais mais cedo do que nunca antes. ... Além de terem babás humanas, muitas crianças também crescerão diante da televisão... O número de divórcios aumentará. Com a introdução do divórcio por incompatibilidade, o que antes era considerado um vergonhoso fracasso passará a ser uma opção aceitável. Podemos começar a apresentar a idéia de ‘morar junto’ para milhares de pessoas. É lógico que, ao virem a devastação causada pelo divórcio, eles começarão a perguntar-se que diferença faz um pedaço de papel.

“Façam todo o esforço para que nada seja considerado tabu ou fora dos limites. Crimes horrorosos, uso de drogas, imoralidade e até mesmo o homossexualismo poderão ser explorados abertamente na mídia, deixando as mentes insensíveis para futuras incursões ...

“Para coroar a década, tentem os líderes máximos para que quebrem a lei e depois mintam para disfarçar... Isso vai criar uma atmosfera de caos e, em meio à tempestade de controvérsias, o povo verá que os antigos padrões em que baseava sua conduta foram postos de lado, deixando-o à deriva na maré da mudança cultural.

“Vejam que o povo estará tão degradado e desgostoso que entrará na quarta década do nosso plano completamente inconsciente do abismo para onde o estamos levando. A crise desestabilizou os indivíduos, e agora devemos ir devagar ou eles perceberão o perigo que estão correndo e poderão voltar-se para Deus. ...

“Este será o momento de usar a forma humana para seduzi-los ao pecado e à idolatria, exatamente como fizemos com o antigo Israel, só que aceleraremos o programa e daremos mais velocidade ao processo. Todos os programas de televisão, revistas e outdoors estarão saturados com imagens que sugiram pensamentos impuros. Ainda não é preciso que sejam explícitas, pois a maior parte da mídia pode restringir as imagens, mas dá para passar nossa mensagem com atividades imorais subentendidas. ...

“A violência e o crime aumentarão. As pessoas assistirão aos noticiários, os quais estarão saturados da mesma fascinação repugnante agora reservada aos filmes e cheios dos mesmos vergonhosos e destrutivos crimes.

“Ao mesmo tempo em que mantemos os cidadãos cada vez mais estressados e apressados com os encargos da vida, façam com que mantenham o foco no futuro com vãs esperanças de que, quando este ou aquele problema temporário terminar, eles vão reduzir o ritmo e então terão mais tempo. É tudo uma ilusão...

“... Os novos casamentos se tornarão muito comuns ... e essas famílias mistas trarão mais estresse, pois sentirão a pressão econômica de ganhar mais e trabalhar por mais tempo. Por muito que tenham estudado, desejarão ter ido mais longe, passando a pressionar os filhos para tirarem as melhores notas. ... Os jovens serão incentivados a participar de um grande número de atividades fora de casa, e o cenário para a quinta década do nosso plano estará montado.

“Vejam o sucesso que vamos ter! ... Nosso plano não tem nem meio século e já podemos ver uma tremenda adesão da maioria às circunstâncias. As pessoas estão correndo muito para sequer apresentar objeções! Vão adaptar-se ao estresse e até ficar orgulhosas pela capacidade de estar excessivamente ocupadas. ...

“Os casais estarão tão atarefados que se tornarão como navios que passam durante a noite. Sem tempo para desfrutar da verdadeira intimidade, suas necessidades não preenchidas tenderão a levá-los a qualquer outro modo de realização. As crianças, tendo alimento, roupas e incontáveis brinquedos, se sentirão como se fossem pouco mais do que órfãos em seus próprios lares. ...

“Na sexta década, a família, que um dia foi o esteio da sociedade, vai desintegrar-se e, com ela, o fundamento da civilização começa a desmoronar. Ah, a ‘família’ ainda permanece, mas, tal como uma árvore podre em seu interior, com exceção dos antiquados padrões bíblicos, e é exatamente isso que queremos. ... Os poucos que se apegam àquelas crenças antiquadas são vistos como fanáticos desequilibrados, ou simplórios, dignos da pena ou desprezo por parte dos membros mais esclarecidos da sociedade.

“... Esta geração de pais receberá um dos mais desagradáveis alertas que se possa imaginar. Seus filhos começarão a manifestar a mesma hostilidade para com os pais e uns para com os outros que a sociedade manifesta em relação a eles. Mas não se preocupem; eles não vão entender esse alerta ... Eles sequer entendem as causas.

“Vejam ... sem uma bússola moral ... as coisas que antes eram evitadas tornam-se toleradas e até uma moda. Três décadas atrás, os políticos pagavam caro por improbidades públicas. Agora não é mais assim. ... O povo vai tratar um comportamento assim com pouco mais do que um entediado encolher de ombros. Um dos nossos enganos mais eficazes será levá-lo a acreditar que todo mundo faz isso. As pessoas terão caído na armadilha de acreditar que o caráter não tem a menor importância. ...

“O entretenimento chegará a seu ápice oferecendo uma impressionante variedade de opções. ... Com a internet, até mesmo uma ida à locadora de vídeos será desnecessária para conseguir cenas de paixões proibidas. Poderemos, pela primeira vez, corrompê-los até mesmo no trabalho. Qualquer um que tenha acesso a um computador poderá baixar horas de material com conteúdo, digamos, questionável ...

“Na sétima década, a sociedade e o governo, ambos construídos sobre os alicerces da família esfacelada, estarão prestes a ruir. ... Se fizermos bem o nosso trabalho, e sabemos que o faremos, a família, o último refúgio em tempo de dificuldades, estará em ruínas e exerceremos controle absoluto sobre a confusão que restar. Assim, amigos, podemos alcançar a vitória em apenas setenta anos ... .” Com o brandir de sua mão, Satanás encerra seu poderoso discurso ... com ar de triunfo ...


Assustador, não é? Mas, drasticamente, um fiel retrato da nossa sociedade. Felizmente, existem soluções.

Eu, meu marido e outros casais estamos estudando juntos esse livro, com histórias verídicas e dicas preciosíssimas de como melhorar ou mesmo reconstruir o relacionamento familiar. Pelo que já estamos colocando em prática, podemos garantir que, se devidamente aplicados, os conselhos desse livro tornarão sua família um pedacinho do Céu, como sempre foi o plano de Deus. Junte-se a nós!

Marily Sales dos Reis

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Cuidado com as palavras!

Outro dia, após ouvir o desabafo de uma pessoa, cheio de palavras negativas e rancor, fiz alguns comentários demonstrando minha preocupação com tal atitude. A resposta que obtive foi: “Não leva ao pé da letra tudo o que eu digo. Só estou desabafando...”. Pouco depois, aquela conversa acabou. Mas meus pensamentos continuaram: “Até que ponto as ‘besteiras’ que dizemos são 'só da boca pra fora'? Podemos dizer tudo o que pensamos? É justificável sair xingando todo mundo, viver reclamando da vida como forma de desabafo?”

Algumas semanas depois, enquanto estudava Mateus 12:22-37 paralelamente com o livro O Desejado de Todas as Nações, veio a resposta:

“As palavras são um indício do que se acha no coração. ‘A boca fala do que está cheio o coração.’ Mas as palavras são mais que um indício do caráter; têm poder de reagir sobre o caráter. Os homens são influenciados por suas próprias palavras." (Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, p. 323).

E não só isso:

"Se externardes vossos sentimentos, toda dúvida que manifestardes não somente terá sua reação sobre vós mesmos, mas será uma semente que germinará e dará fruto na vida dos outros; e talvez se torne impossível destruir a influência de vossas palavras." (Ellen White, Caminho a Cristo, p. 119).

Ou seja, as palavras influenciam tanto o que fala como o que ouve - quer seja para o bem ou para o mal! Foi por isso que Jesus fez questão de enfatizar: "... no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados." (Mateus 12:36, 37).

Forte, não? Creio que, se tivermos isso sempre em mente, dificilmente sairemos por aí explodindo, lamentando-nos, criticando ou cultivando qualquer tipo de sentimentos, pensamentos ou palavras negativas. Pelo contrário, procuraremos seguir o conselho bíblico: "Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem." (Efésios 4:29).

Marily Sales dos Reis

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Novo ano, novos desafios

Cada novo ano é uma nova oportunidade de crescimento. Nada melhor, então, do que aproveitar este fim de ano para refletir no ano que passou, agradecer a Deus pelas vitórias, aprender com os erros, traçar planos e tomar decisões.

2007 provavelmente trará para você novas chances, novas amizades, novas descobertas... mas também trará novos desafios, novos problemas, novas "pedras". A grande questão é: Como lidaremos com tudo isso? "Transforma em degraus as pedras em teu caminho" - é o conselho que li certa vez e tenho procurado seguir a cada ano.

Porém, sem a ajuda de Deus, nada disso é possível. Só Ele pode reverter problemas em bênçãos, pois Ele “age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” (Romanos 8:28). Ao lado de Deus, seu sucesso no próximo ano já está garantido, acredite!

Por isso, meu desejo para você em 2007 não poderia ser diferente. Que você ore mais, estude mais a Palavra de Deus, ajude mais as pessoas a encontrarem esse Deus maravilhoso. Que você caminhe com Ele todos os dias do novo ano, usufruindo do oásis que é a comunhão diária com Deus. E, assim, que você desfrute da paz, da alegria e do verdadeiro amor, que só aqueles que estão realmente ligados à Fonte da vida podem obter!

Feliz ano novo! É o que desejo a você e à sua família de todo o coração!!

Marily Sales dos Reis

terça-feira, novembro 14, 2006

Não se preocupe...

Outro dia, eu estava ansiosa por causa de um problema, quando li o seguinte pensamento: "A preocupação não põe fim aos problemas de amanhã; apenas mina a força que temos hoje". Que puxão de orelha!

Por que será que gastamos tanto tempo, tanta energia, tantos neurônios com preocupações? Não seria muito melhor se seguíssemos o conselho do grande Mestre? "Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir (...). Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal." (Mateus 6:25, 33, 34; NVI).

É óbvio que isso não significa largar mão dos planos, dos sonhos e do esforço pessoal. Afinal, como a Palavra de Deus também diz, devemos fazer sempre o máximo possível (Eclesiastes 9:10). Mas, note, apenas o máximo possível. Certas coisas simplesmente não estão ao nosso alcance. Só Deus pode realizá-las.

Isso é confiar em Deus: ficar tranqüilo mesmo quando estamos com problemas, dúvidas ou expectativas. Quer ver um exemplo bem prático disso? Clique aqui.

Que Deus o ajude a descansar hoje nos Seus braços e desfrutar da paz que só Ele pode dar!

Um grande abraço.

Marily Sales dos Reis

sexta-feira, novembro 10, 2006

Diferenças

Mahatma Gandhi, líder hindu, afirmou que "orar não é pedir. Orar é a respiração da alma. Como o corpo que se lava não fica sujo, sem oração se torna impuro". O apóstolo Paulo foi direto ao ponto e definiu, inspirado por Deus, que o melhor é "orar sem cessar" (I Tessalonicenses 5:17). A oração, essência da comunhão divina, é uma luta diária do cristão bíblico por dedicação de tempo tanto em qualidade como em quantidade.

Ano de 2006. Em uma grande cidade um rico empresário acorda às 6 horas para mais um dia de intenso trabalho em uma das maiores corporações do planeta. Mentalmente, ele já sabe que terá diversas reuniões de negócios agendadas, milhares de tarefas a desempenhar, ordens a serem dadas aos subordinados e um mundo financeiro a gerenciar.

Séculos atrás. Na antiga região do Oriente Médio, um homem humilde acorda de madrugada para mais um dia de intenso trabalho em uma das mais importantes atividades de todos os tempos. Mentalmente, ele já sabe que terá diversos encontros com doentes, desanimados, desesperados, deprimidos, invejosos e inimigos, dará milhares de orientações e falará de Deus milhares de vezes. Ele tem um mundo a ensinar espiritualmente.

Ano de 2006. O rico e atarefado empresário toma o desjejum rapidamente, lê notícias no seu notebook pela internet e segue para o trabalho. Só deu tempo de ajeitar o paletó para a primeira reunião marcada às 8 horas. Nem viu seus filhos saírem para o colégio. Muito menos a esposa.

Séculos atrás. O pobre e atarefado líder medita com Deus acerca do dia que terá à frente. Só então se sente apto a iniciar o dia de trabalho.

Ano de 2006. Depois de um dia de muitas tribulações, o empresário retorna para casa e continua trabalhando. Permanece envolvido com as atividades de sua corporação até finalmente não ter mais forças físicas, já por volta das duas horas da manhã, quando então adormece e somente então desliga o telefone celular e todos os outros equipamentos que o mantêm conectado ao ambiente empresarial. Dorme vestido com seu terno mesmo.

Séculos atrás. Depois de um dia cheio, em que participou da multiplicação de pães e peixes para uma faminta multidão que o escutava, entre outras atividades, o líder entra no barco com seus discípulos mais próximos, despede a multidão e sobe ao monte para orar sozinho à parte.

A questão da comunhão está ligada diretamente à necessidade de dedicar tempo ao que consideramos de maior importância. Sem desculpas por vivermos em tempos modernos, quando a velocidade é justificativa para todo o tipo de ato impensado e irrefletido. Se entendermos que o relacionamento com Deus é valioso, então teremos tempo para isso. E tempo de qualidade. Jesus é o grande exemplo de como ter uma comunhão qualificada.

Cristo ensinou que não precisamos de repetições cansativas, orações formais que cumprem regras litúrgicas, nem inúmeros pedidos por futilidades. Ensinou, sim, que a oração é a ciência de aproximação com Deus, não porque Ele precise nos conhecer, mas porque precisamos conhecê-Lo profundamente. Antes mesmo de pensarmos em algo que julgamos necessário a nossa vida, Deus já sabe dessa necessidade e vai atendê-la conforme Sua santa e perfeita vontade.

Tome tempo para ler vários trechos dos evangelhos que mencionam os momentos em que Jesus estava falando de oração ou mesmo orando. E pense nesses instantes como momentos de poder em que Cristo se colocava inteiramente nas mãos divinas para ser um instrumento. Não há um segredo impressionante para o sucesso espiritual de Sua missão, que Jesus estivesse escondendo a sete chaves. De joelhos dobrados, Ele foi vitorioso. E a promessa é que também temos esse poder à disposição. Ou será que estamos muito ocupados para ouvir a voz divina?

Felipe Lemos, jornalista, mantenedor do blog Realidade em Foco (www.felipelemos.blogspot.com), comentarista da Rede Novo Tempo de Rádio e colaborador da Revista Adventista.

quinta-feira, novembro 02, 2006

A força da convivência

Ser jovem nos dias de hoje não é nada fácil. Talvez em nenhuma outra época da história tenha sido tão difícil. As prateleiras dos maus pensamentos e maus hábitos estão cheias e nos aguardando em cada esquina da vida. Não precisamos andar muito para ser desafiados e colocados em prova: ligamos a TV e lá está o “mundão” a nos sugerir (quase impondo) seu estilo de vida; giramos o dial do rádio e (descontando algumas raras estações) só encontramos músicas sem sentido para quem procura viver um estilo de vida cristão; acessamos a internet e, se não formos bastante objetivos, esbarramos em lixo de toda espécie.

De fato, a tentação está aí. Satanás sabe que dispõe de pouquíssimo tempo e está usando suas últimas e mais poderosas “cartas” para enredar o maior número possível de pessoas. Parece até um contra-senso João ter escrito que nós, jovens, somos fortes (ver I João 2:14) quando, na verdade, na maioria das vezes nos sentimos como um mosquito no olho de um furacão.

Mas, ao mesmo tempo em que o sentimento de impotência frente às insinuações do maligno é algo perfeitamente normal para nós – meros mortais dependentes –, é digno de nota o fato de Deus ter registrado nas Escrituras Sagradas a história de jovens que, como todos os demais de todas as épocas, passaram por provas aparentemente impossíveis de ser vencidas.

E, mesmo vivendo em dias tão probantes, temos que admitir que as dificuldades pelas quais alguns jovens da Bíblia passaram excedem em muito àquelas pelas quais passamos. Afinal, o que é um vestibular no sábado, a vontade de usar uma roupa insinuante, uma garota ímpia e sedutora, uma leitura ou filme impróprios e atrativos, um copo de cerveja etc., comparados ao fato de ser separado da família e levado cativo por um povo estranho e pagão, ameaçado de morte numa fornalha ardente, ser tentado por uma jovem mulher casada quando ninguém está olhando... “Ah, mas eles eram jovens santos, especiais”, pode dizer ou pensar alguém. Mas lembre-se: “O que homens fizeram, homens podem fazer.” Eram jovens santos, sim. Mas sujeitos às mesmas tentações e carentes das mesmas necessidades básicas que nós. Qual o segredo deles, então?

A vitória e seus segredos

Se houve um jovem que poderia reclamar do que a vida lhe reservou, esse era José. Era um garoto mimado e “acostumado à ternura dos cuidados de seu pai” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, p. 215). Tinha tudo o que queria. Mas um dia a calamidade bateu-lhe à porta. Os irmãos, enciumados, venderam-no a uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade.

No Egito, foi novamente vendido – dessa vez ao oficial do Faraó e capitão da guarda, Potifar. E os problemas de José estavam apenas começando.

Imagine-se naquela situação. Arrancado do lar paterno e levado para uma terra estranha – e como escravo. Mesmo assim, na casa de Potifar, “José não se envergonhava da religião de seus pais, e não fazia esforços para esconder o fato de ser adorador de Jeová” (Ibidem, p. 216).

Esse era o segredo de José: fidelidade a Deus e aos ensinos de seus pais. Mesmo assim, isso não o isentava de problemas. Acusado de assédio pela esposa de Potifar, foi levado ao cárcere (teria sido morto se Potifar acreditasse na esposa infiel). Uma vez mais o jovem hebreu tinha motivos para reclamar de Deus. Mas não. Deixou-se usar por Ele lá na prisão também. Deu bom testemunho mesmo naquela situação difícil. E, tempos depois, reconhecidas suas capacidades e retidão de caráter, o faraó lhe disse: “Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo” (Gênesis 41:40).

Tremenda guinada! De escravo encarcerado a governador. E aí se vê que aquele jovem realmente mantinha uma viva união com o Céu, pois seu caráter “resistiu de modo semelhante à prova da adversidade e da prosperidade” (Ibidem, p. 222). Quando pobre, fez de Deus seu maior tesouro. Quando rico e poderoso, podendo dar lugar à vingança e usufruir de todos os prazeres concebíveis, pensou apenas no bem que poderia fazer ao povo e em como poderia honrar o nome de seu Deus.

Um jovem de valor, fiel em todas as circunstâncias e, no entanto, essencialmente igual a qualquer outro, inclusive a você.

Fidelidade recompensada

Daniel e seus três amigos hebreus viveram momentos semelhantes aos de José. Foram igualmente feitos cativos por um povo pagão, os babilônios. Em Babilônia, foram submetidos às mais diversas tentações e venceram, mesmo em face da morte.

O segredo? “Três vezes ao dia [Daniel] se punha de joelhos, orava e dava graças diante do seu Deus” (Daniel 6:10). Além disso, sabia que “nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras” (Ellen White, Caminho a Cristo, p. 90).

Oração aliada ao estudo da Bíblia. A fórmula é antiga, mas não existe outra. Aqui reside a fonte de poder para vencer o mal. Se essas duas coisas não lhe são espontâneas ou agradáveis, peça a Deus para o ajudar. Lembre-se do jovem Daniel e de que “ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Ellen White, Santificação, p. 19).

Ellen White, no livro Mensagens aos Jovens, p. 349, diz ainda que jamais poderemos “conseguir um bom caráter só com o desejá-lo. Isto só poderá ser obtido mediante labor”. Atenção às pequenas coisas, temperança no viver, desviar-se do mal pelo poder de Deus, fazer da Bíblia nossa leitura número um e da oração um hábito prazeroso – eis nosso “labor” diário, o segredo da vitória, se quisermos de fato vencer.

Transformado pela convivência

Quantas vezes nos damos conta de estar falando ou agindo de modo semelhante ao das pessoas com as quais convivemos mais intimamente. Isso é perfeitamente natural. Cônjuges, com o tempo, acabam se assemelhando em muitos aspectos (passei a gostar mais de manga e de animais graças à minha esposa). É o resultado da convivência.

João era um jovem muito nervoso. Fora até apelidado de “Filho do Trovão”. Ai daquele que se atravessasse em seu caminho nos maus dias. Mas quando conheceu a Cristo, algo interessante foi acontecendo. João “se achegava a Jesus, sentava a Seu lado, recostava-se-Lhe ao peito. Assim como a flor sorve o orvalho e a luz, bebia ele da luz e vida divinas. Contemplou o Salvador em adoração e amor, até que a semelhança de Cristo e comunhão com Ele se tornaram seu único desejo, e em seu caráter se refletiu o caráter do Mestre” (Ellen White, Educação, p. 87). De Filho do Trovão a Discípulo do Amor!

Convivência. Essa é a solução para os nossos defeitos de caráter. “Todas as nossas esperanças atuais e futuras dependem de nossa relação com Cristo e com Deus” (Ellen White, Review and Herald, 19 de agosto de 1909). Buscar a vitória sobre o pecado sem a comunhão com Cristo é tentar o impossível. À medida que nos aproximamos de Jesus, vamos sendo paulatinamente transformados à Sua semelhança.

Jovens como Timóteo, Ellen White, Loughborough, Andrews e outros, tiveram também suas duras experiências na vida, mas venceram. Seria redundante mencionar o segredo da vitória deles, pois foi o mesmo de João, Daniel e José: amizade íntima com Cristo.

Lembro-me com tristeza de um jovem chamado William, que ajudei a levar a Cristo. Foi emocionante ver como ele abraçou a verdade de forma tão empolgada. Leu o livro O Grande Conflito em pouco tempo, gostava de fazer a Lição da Escola Sabatina e acompanhar-me em estudos bíblicos. Mas com o tempo algo foi acontecendo. William não tinha mais tanto prazer em assistir aos cultos e voltou a se associar aos antigos amigos “de fora” da Igreja. Como eu fazia faculdade em outra cidade, nos víamos pouco. E William acabou abandonando a Igreja.

Na última vez que nos encontramos, ele me disse o seguinte: “Sinto-me como uma formiga fora do formigueiro.” E ele estava certo. Aqueles que um dia conheceram a verdade e tiveram um vislumbre – por menor que seja – da Pessoa maravilhosa de Jesus e O abandonaram, ainda que não admitam, jamais serão felizes. Devem voltar a Cristo ou, do contrário, serão “formigas fora do formigueiro”.

Se você que está lendo este artigo se sente longe de Cristo (quer esteja na Igreja ou não), lembre-se: seres humanos como você, hoje e no passado, venceram e vencem pela convivência diária com Cristo. Volte-se para Deus agora. Peça-Lhe perdão e forças para vencer. Seja um jovem de valor, pois o Senhor tem grandes planos para você.

Michelson Borges, jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e mantenedor do blog www.michelsonborges.com

domingo, outubro 29, 2006

"Não tenho tempo..."

"Muitos que alcançam o sucesso social, intelectual e financeiro não alcançam o sucesso em ter qualidade de vida. Eles têm tempo para todos, mas não para o que lhes dá prazer e para as pessoas que amam. Perdem sua singeleza à medida que se atolam nas atividades. Mendigam o pão da alegria". Essa realidade, descrita por Cury, no livro 12 Semanas para Mudar uma Vida, p. 65, retrata muito bem a sociedade materialista em que vivemos.

Como típica paulistana, essa também sempre foi minha tendência. Vivia diariamente num ritmo frenético, fazendo cursos e mais cursos, trabalhando, enchendo-me de atividades, até que senti na pele (ou mais especificamente no estômago) os resultados de minha intemperança. Com uma esofagite diagnosticada, como conseqüência do estresse, de repente me vi obrigada a mudar urgentemente meu estilo de vida - ou eu dava um jeito nele ou ele dava um jeito em mim. Preferi optar pela primeira opção antes que fosse tarde demais. É claro que não foi fácil abrir mão de certas coisas, como meu curso de pós-graduação em tradução na USP e outras atividades que me pareciam essenciais naquele momento. Mas, sem dúvida nenhuma, foi a melhor escolha.

Hoje, apesar de estar longe da loucura de São Paulo, ainda sou muitas vezes tentada a retomar a rotina agitada de antes. Como é fácil não ter tempo para nada – para o descanso, para os amigos, para a família e, principalmente, para Deus... Quando me dou conta, minha vida está uma bagunça e, mais uma vez, sou obrigada a parar, respirar fundo, refletir e reorganizar minhas prioridades. Você já viu essa história antes?

É nessas horas que lembro de Jesus – uma celebridade, que vivia cercada de multidões, mas sempre tinha tempo para o que havia de mais importante na vida. Mesmo após se tornar “um homem púbico, uma estrela social”, o Mestre dos Mestres conseguiu preservar a simplicidade e a sensibilidade. Nada lhe passava desapercebido – os lírios do campo, as criancinhas, os pássaros, enfim, tudo que havia de mais belo na natureza física e na natureza humana era alvo de Sua contemplação. Contemplar o belo – essa era a sua especialidade. E o mais incrível: “Pelas dificuldades da vida e pelos estímulos estressantes que atravessou, era de se esperar que desenvolvesse uma personalidade ansiosa, irritada, intolerante. Mas quando abriu a boca ao mundo, nunca se viu alguém tão dócil e sereno” (Ibidem, p. 63).

Não seria maravilhoso ser como Jesus? Conseguir contemplar a beleza das coisas mais simples, ter tempo para dar amor e atenção para as pessoas à sua volta, ser dono de si mesmo em grandes focos de tensão, sentir e transmitir paz apesar das situações estressantes do dia-a-dia? Você gostaria de ter essa qualidade de vida? Então preste atenção no segredo de Jesus:

“Sua felicidade encontrava-se nas horas em que estava a sós com Deus e a Natureza. Sempre que Lhe era concedido esse privilégio, afastava-Se do cenário de Seus labores, e ia para o campo, a meditar nos verdes vales, a entreter comunhão com Deus na encosta da montanha ou entre as árvores da floresta. O alvorecer freqüentemente O encontrava em qualquer lugar retirado, meditando, examinando as Escrituras, ou em oração” (Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, p. 62). (Veja também Mateus 14:23).

Parece mágica, mas, quando temos tempo para Deus, tudo muda. Nosso tempo se organiza e até se multiplica. Passamos a ter mais tempo para amar, observar, refletir, descansar. O dia é mais produtivo. Sentimo-nos mais alegres, tranqüilos e capazes de lidar com os problemas. É fantástico! Só mesmo experimentando para entender...

E, por falar nisso, você já fez sua “hora tranqüila” hoje?

Marily Sales dos Reis