quinta-feira, setembro 25, 2008

Síndrome de Michael

Um misto de compaixão e sensação de a justiça ter se realizado veio à minha mente quando eu vi Michael (nome fictício) entrar na quadra.

É preciso explicar que a entrega de boletins de nosso colégio realizou-se na quadra de esportes. Nós, professores, nos assentamos a mesas nas quais cartazes foram colados contendo o nome de nossa disciplina. A programação se desenrolava imperturbavelmente.

Foi quando entrou a mãe de Michael. Em poucos minutos, com o boletim do filho nas mãos, ela percorria as mesas espalhadas pelos cantos da quadra, falando com cada professor. Seu ar trazia uma espécie de decepção contagiante. Depois, enquanto eu conversava com o irmão de Michael, o próprio chegou.

Michael vinha de mansinho, como quem sabe o que lhe espera. Eu e outro professor começamos a conversar com ele. Não estou falando de um aluno com problemas de aprendizagem. Michael, como outros adolescentes, não gosta de estudar. O rapaz acostumou-se a não se preocupar, porque no final ele pode alcançar a média através da recuperação paralela. Só que no presente bimestre, Michael descuidou tanto de seus estudos que, quando quis recuperar, já era tarde. “E você não sabia que seu boletim viria com notas ruins?”, perguntei a Michael. “Saber, eu sabia”, foi sua resposta. “Mas achei que daria um jeito no final”, ele completou, estarrecido diante de seu próprio resultado escolar.

Você já se deu conta de que coisas assim não acontecem somente a adolescentes em relação a seus estudos? Você trabalha e não tem hora para almoçar. Não consegue mais se comunicar com sua esposa, que também vive presa às suas próprias atividades. Um dia, vocês acordam e se olham – o espanto é tão grande que um não estranharia se o outro lhe perguntasse o nome. O casamento acaba, porém você não é pego de surpresa. Você sabia que as circunstâncias conduziam o relacionamento a um fim prematuro. Acontece que você simplesmente achou que daria um jeito no final.

Considere isto: uma ferramenta para avaliar a acuidade de nossas escolhas é a análise prévia das consequências que elas trarão. Se levarmos a sério essa análise, por uma questão de racionalidade seremos forçados a ajustar nossa conduta para atingirmos o fim desejado. O problema é que a maioria das pessoas não usa de racionalidade, embora não deixe de enxergar os resultados de suas escolhas a longo prazo. Já ouvi pessoas dizerem que preferem continuar fumando, mesmo correndo o risco de morrerem vitimadas pelo câncer. “Ninguém vive para sempre”, argumentou certa vez um senhor quando lhe perguntei porque ele não parava de fumar, apesar das advertências feitas por um médico.

A irracionalidade nas escolhas leva a um desajuste entre nossa postura e nossa expectativa. Ninguém quer ser infeliz, contrair doenças mortais ou sofrer com um divórcio, mas, através de seu modo de vida, as pessoas projetam esses males. Chamo o desalinho entre escolha e expectativa de “síndrome de Michael”. Os portadores da síndrome de Michael sempre contam com resultados inesperados, soluções de última hora, intervenções mágicas – até que a realidade lhes dê um forte soco no estômago.

Mesmo no campo espiritual, impera a mesma lógica de racionalidade: colheremos o que plantarmos (Gálatas 6:7-9). Não se trata de salvação pelas obras. É questão de coerência. Somos constantemente lembrados de que haverá um julgamento e, em razão da expectativa em torno desse evento, temos de ajustar nossa conduta. Sendo impossível fugir da “ira futura”, resta viver para produzir o “fruto que mostre o arrependimento” (Mateus 3:7 e 8; NVI).

Dentro dessa perspectiva, o apóstolo Pedro formulou a pergunta mais sensata: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam?” Felizmente, o mesmo Pedro nos fornece a resposta: “Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2 Pedro 3:11 e 12; NVI). Somente avaliando previamente a solenidade da volta de Jesus (“o dia de Deus”), poderemos reajustar nossa vida pela fé, sendo o tipo de pessoa que viva de modo santo e piedoso. Será o suficiente para superar a síndrome de Michael em nossa vida espiritual.

(Douglas Reis, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia e mantenedor do blog Questão de Confiança.)

Mais bênçãos

Tem sido comum o cristão clamar por bênçãos. Afinal, Deus as prometeu.

Aliás, bênçãos é um tema que conquista qualquer auditório. Pois assim somos nós, cristãos: clamamos o tempo inteiro, queremos mais do trono de Deus, queremos ser abençoados em tudo, queremos mais e mais e mais...

Errado? Claro que não. O filho tem que buscar o Pai, clamando por suas promessas.

Mas cristianismo não é só isso. É mais. Nós não somos um bando de filhotes de pássaros, que ficam amontoados em seus ninhos, piando à espera do alimento. Somos mais que isso.

Se você, hoje, está pedindo uma benção, está clamando um milagre à Deus, permita-me propor uma questão: Você já deu tudo o que tem para o Senhor?

Quer um carro novo. Mas já depositou o atual aos pés de Jesus? Quer um rendimento melhor. Mas o salário até agora recebido tem sido utilizado em honra a Deus? Quer mais saúde. Mas sua vida tem sido usada para a causa de Deus? Quer mais dons. Mas o dom que possui está sendo usado em louvor a Deus?

“Tenho uma surpresa para vocês”, eu disse para meus pequenos filhos antes do almoço. Obviamente, eles alvoroçaram. Então, falei que só ganhariam a tal surpresa depois do almoço. Foi uma das refeições mais tumultuadas da minha vida.

“Eu não quero almoçar”, disse a Lívia, de chofre. “Eu também não”, embarcou na onda o mais novo (Kalel).

Sem chance. Teriam que comer primeiro. “Terminei”, dizia um a cada dois minutos. “Já enchi”, falava o outro, ainda mais rápido.

“Não vai ter surpresa pra ninguém”, esbravejei, perdendo a paciência diante de uma cena que eu mesmo orquestrei.

Eles tinham uma lauta refeição diante deles, mas queriam mais. Não tinham nem aproveitado o que estava em suas mãos e já clamavam pela minha promessa de surpresa.

Respirei, olhei fixamente para eles e pedi: “Almocem, por favor. Se vocês não almoçarem, não vou poder cumprir com minha promessa, pois a surpresa é para aqueles que comerem direitinho.”

Eles acalmaram (os “terminei” e “já enchi” passaram a ter um intervalo um pouco maior).

Depois de comerem (e lavarem boca e mãos), ganharam a prometida surpresa (aquele ovo de chocolate com brinquedo dentro – ou, melhor dizendo, aquele brinquedo coberto com um ovo de chocolate).

Pode acreditar, eu queria dar a “surpresa” tão logo cheguei em casa. Mas, se eu fizesse isso, ninguém almoçaria do verdadeiro alimento.

Refletindo sobre o assunto, lembrei-me da “mulher pecadora” (Lucas 7:37 em diante), que comprou um vidro caríssimo de unguento e o depositou aos pés de Jesus. Ela não pediu nada. Deu tudo o que tinha e derramou todo o perfume aos pés do Mestre. Depois disso, enxugou-os com seus cabelos.

O que ela estava pedindo naquele momento? Nada. O que ela queria? Uma coisa bem simples: estar perto do Mestre.

Querer bênçãos sem se dispor a estar perto de Jesus é inútil. Querer ser abençoado sem depositar tudo o que temos, sem nos alimentarmos do verdadeiro alimento, é uma ilusão.

Quanto mais nos dedicamos, quanto mais nos embrenhamos na obra de Deus, quanto mais damos de nós para Deus, mais somos abençoados.

Os mesquinhos, aqueles que guardam apenas para si o sucesso, a saúde e os bens que possuem, não podem alcançar bênçãos vindas, verdadeiramente, do trono de Deus.

Atualmente, só consigo ver uma maneira de receber mais: dar mais, pois Deus promete algo chamado RESTITUIÇÃO. E Ele só pode restituir aquilo que depositarmos aos Seus pés.

Eu gostaria de convidá-lo para, junto de mim, depositar tudo o que temos aos pés de Jesus e orarmos: Eis-me aqui, Senhor. Tudo o que sou, tudo o que tenho agora é Teu. Usa-me da forma mais intensa possível, pois sou Teu. Meus bens, meus dons, minha família e tudo o que tenho coloco no Teu altar, para servir a Ti. Estou aos Teus pés e aqui quero estar para sempre. Abençoa-me à medida que demonstro estar crescendo, pois, sendo fiel com o pouco que tenho, pretendo ser com as muitas bênçãos que virão. É minha oração, em nome de Jesus, amém.

Quando Jesus ressuscitou, aquela “mulher pecadora” foi a primeira que o viu. Não foi por acaso. Foi em virtude de ela ter entregado tudo ao Mestre.

Quando Jesus voltar, os que se entregaram por completo estarão entre os primeiros a abraçá-lo.

(Denis Cruz, mantenedor do blog IASD Mundo Novo e autor do livro Além da Magia.)

quarta-feira, junho 04, 2008

A arte de calar

É sinal de inteligência e sabedoria falar pouco, falar bem e não falar mal de ninguém.

Contudo, calar-se é ainda mais importante, quando calar-se é dizer tudo.

Há quem se cale por não ter realmente nada para nos dizer, mas há também quem se cale por omissão, quando seria um dever falar, escrever, gritar, colocar a boca no trombone, como se dizia antigamente.

Calar-se na hora certa e pelos motivos certos é uma verdadeira arte cujas regras um pequeno livro do Abade Dinouart quer nos transmitir. Autor francês do século XVIII, suas admoestações para que façamos silêncio ainda hoje são pertinentes.

Sutileza não lhe falta. Ao mesmo tempo que recomenda o silêncio, lembra que há silêncios falsos, aqueles que simulam uma sabedoria que, de fato, inexiste. Nem sempre calar-se significa profundidade de pensamentos. Pelo contrário, é camada de verniz que recobre um vazio sepulcral.

Mas há ainda outros silêncios, e alguns deles diabólicos. Há o silêncio manipulador, o silêncio torturante, o silêncio chantagista, o silêncio rancoroso, o silêncio conivente, o silêncio da zombaria, o silêncio imbecil, o silêncio do desprezo. Há pessoas que matam com seu silêncio. Há silêncios que esmagam a justiça e a bondade, na calada da noite.

Por isso o silêncio rico de significado é ainda mais apreciável e luminoso.

Falo do silêncio que prenuncia novas palavras.

Falo do silêncio que é solidariedade na dor.

Falo do silêncio que soluciona cisões.

Falo do silêncio que pergunta.

Falo do silêncio que perdoa.

Falo do silêncio que ama.

O silêncio mais puro é aquele que guarda a confidência. Este silêncio jamais é excessivo. Não se deve apregoar aos quatro ventos o que foi murmurado na intimidade da amizade e do amor.

O silêncio mais sábio é aquele que fazemos diante dos impertinentes, intolerantes e desbocados. É o silêncio do Cristo inocente diante dos acusadores, o silêncio dos espaços infinitos diante da quase infinita capacidade nossa de falar ou escrever sem razão.

Calar da maneira certa é deixar que uma voz mais profunda seja ouvida. A voz severa, a voz serena, a voz suave e firme da verdade.

O verdadeiro silêncio diz a verdade que não se pode calar.

O verdadeiro silêncio nunca será cedo demais.

Quero ouvir o silêncio que tudo explica.

(Gabriel Perissé, escritor e doutor em Filosofia da Educação. Texto publicado no site Kplus.)

Nota: "Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se. [...] Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!" (Tiago 1:19, 26)

sexta-feira, maio 16, 2008

Planeta Terra em trabalho de parto

Quem não fica estarrecido ante a quantidade, diversidade e gravidade de tragédias noticiadas a cada dia na mídia? Terremotos, ciclones, maremotos, guerras, assassinatos... Você já ouviu essa história antes?

Diante de tanta calamidade, os cristãos exclamam: “É o fim do mundo!” Em contraposição, os céticos rebatem: “Que fim de mundo que nada! Sempre houve guerras e terremotos. Há décadas se fala do fim do mundo, e até agora nada...”.

De fato, nada disso é novidade. Por isso é que a Bíblia diz: “Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras [...] mas ainda não é o fim. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores” (Mateus 24:6-8; ênfase acrescentada).

Que dores? Paulo responde: “[...] a destruição virá sobre eles de repente, como as dores de parto à mulher grávida”
(1 Tessalonicenses 5:3; ênfase acrescentada).

A Bíblia usa a metáfora das dores de parto para nos ajudar a entender quando e como ocorrerá o fim do mundo. É como se o mundo fosse a mulher grávida e as dores de parto, as tragédias.

Quando?

Assim como a mulher grávida não sabe exatamente quando seu filho decidirá nascer, nós também não sabemos quando será a vinda do Filho de Deus. A única coisa que sabemos é que “o dia do Senhor virá como ladrão à noite” (1 Tessalonicenses 5:2) – ou seja, repentinamente, sem data marcada.

Como?

Eu nunca passei pela experiência da maternidade. Então não posso dizer, por experiência própria, quanto dói dar à luz. O que eu sei é que a maioria das mulheres recorre à cesárea exatamente para fugir da dor.

Para as “contrações” do planeta Terra, porém, não há escapatória. “Toda a natureza criada geme até agora como em dores de parto.” (Romanos 8:22). Se isso já era verdade na época de Paulo, muito mais agora. E é aí que eu quero chegar.

As catástrofes ambientais e as crises econômicas, sociais e morais realmente sempre existiram, mas nunca tão intensas. Logo, se o aumento das dores de uma parturiente indicam que o bebê está chegando, o aumento do sofrimento do mundo, segundo a Bíblia, é um sinal de que Jesus está voltando.

Não haverá mais dor...

À primeira vista, tudo isso pode parecer aterrador, da mesma forma que para mim, uma aspirante a mamãe, é assustadora a idéia de passar pelas dores do parto. Mas pergunte a uma mãe que acabou de dar à luz: “Valeu a pena tanta dor?”. Nem é preciso palavras. O sorriso estampado em seu rosto enquanto contempla extasiada aquele pequeno ser, recém-chegado ao mundo, diz tudo.

Embora a dor seja grande, ela é passageira. Em breve, “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Apocalipse 21:4). Por isso, Jesus nos motivou: “Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e ergam a cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês” (Lucas 21:28).

Acredite: por maior que seja o sofrimento hoje, a alegria de amanhã será incomparavelmente superior! Não perca isso de vista.

Marily Sales dos Reis

Nota: Veja outros artigos relacionados com este assunto e algumas evidências históricas e arqueológicas de que as profecias bíblicas são confiáveis:

Sinal dos tempos
O mês das tragédias
O mês das tragédias II
Arqueologia
O tempo do juízo

terça-feira, março 18, 2008

Solidão necessária

Como expressa bem o texto abaixo, publicado hoje na Folha de S.Paulo, "sozinho" não significa necessariamente "solitário". Ficar sozinho de vez em quando, longe de distrações, barulho e falação, é necessário – para sonhar, planejar, refletir, reavaliar, melhorar.

O silêncio, em alguns casos, também é sinônimo de sabedoria. Como adverte Salomão, a tagarelice pode ser “como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina” (Provérbios 12:18). “Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios por entendido” (Provérbios 17:28).

Acima de tudo, o silêncio é imprescindível para ouvir a voz de Deus. Era no silêncio da madrugada que Jesus obtinha forças para enfrentar as provações do dia. Após a multiplicação dos pães, “tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho” (Mateus 14:23). Em outra ocasião, também “de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Marcos 1:35).

É uma pena que hoje em dia as pessoas fujam tanto do silêncio e da introspecção, inclusive nas igrejas.

(Marily Sales dos Reis)

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O silêncio

O vento frio, aos golpes, anunciava que o inverno estava se aproximando. Nuvens cinzentas cobriam os Alpes, como navios que navegavam velozes, levadas pelo vento. Era um velho mosteiro de freiras que praticavam o silêncio, costume abençoado que libertava as pessoas da obrigação de conversar com os vizinhos às mesas de refeições. Não ser obrigado a conversar é uma felicidade.

É raro que as pessoas entendam isso. Eu iria dar uma fala, faltava ainda meia hora e procurei um lugar escondido onde pudesse ficar quieto com os meus pensamentos. Achei-o sob uma escada, quase invisível e ali me escondi. Foi então que uma pessoa delicada me viu ali sozinho e bondosamente pensou: "O professor Rubem Alves está abandonado..." Dois minutos depois meu refúgio estava cheio de pessoas falantes que destruíram a minha solidão... Os tagarelas alegres são emissários do demônio porque com suas palavras tolas eles nos tiram das águas profundas em que nos encontrávamos. Deus é o Grande Mar. A alma é um peixe. Os poetas sabem disso.
T.S. Eliot escreveu: "Nosso olhar é submarino. Olhamos para cima e vemos a luz que se fratura através das águas inquietas..."

Hóspede naquele mosteiro, eu deveria obedecer aos horários e participar dos eventos. Um deles me horrorizou: participar das celebrações litúrgicas às 6h, às 12h e às 18h.

O santuário era um velho celeiro de madeira octogonal, muito grande e escuro, sem janelas. Os arquitetos, para pôr luz nas sombras, abriram buracos nas paredes, cobrindo-os com vidros coloridos. A luz do sol, entrando pelos orifícios e atravessando os vidros coloridos, faziam desenhos no espaço vazio, desenhos que se deslocavam à medida em que o sol caminhava pelo céu.

Os bancos, poucos, seguiam três lados do octógono; a mesa, iluminada com velas, tinha no seu centro um ícone de Jesus ao estilo bizantino. Cheguei no horário. Poucas pessoas. Os mosteiros não são lugares que atraiam turistas.

Fiquei à espera do início da liturgia, que deveria iniciar-se suiçamente ao repicar dos sinos às 6h da manhã. Os sinos repicaram mas nada aconteceu, nenhuma reza, nenhum hino, nenhuma leitura bíblica. Pus-me a examinar o espaço e as luzes que se entrecruzavam. O exercício de simplesmente ver tem o efeito de fazer parar o pensamento. Alberto Caeiro já dizia que "pensar é estar doente dos olhos..."

Os pensamentos, produtos internos da cabeça, são perturbações que distorcem a pureza da visão.
Aí, ao misticismo do ver seguiu-se o misticismo do ouvir. O vento descia furioso das montanhas, em golpes, lufadas que torciam a estrutura de madeira, provocando aqueles ruídos típicos de navios à vela batidos pelo vento. Ao lado do santuário havia uma plantação de macieiras nuas, o vento havia arrancado suas folhas todas, somente seus galhos pelados ficaram. Quando o vento sacudia a galharia era como se houvesse um mar enraivecido quebrando ondas. Aí os sons e as cores começaram a invocar poemas ancestrais. "E a terra era um abismo sem forma e o vento de Deus soprava violentamente sobre a superfície das águas... E disse Deus: "Haja luz..." E aí meus pensamentos foram possuídos pela poesia.

Mas e a liturgia? Já eram 6h20. Percebi então que a liturgia havia começado às 6h, quando os sinos tocaram... Só silêncio...

(Rubem Alves, educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp. Texto publicado na Folha de S.Paulo.)

quarta-feira, março 05, 2008

Organize-se

Para saber se você é organizado, responda à seguintes perguntas:

● Suas chaves desaparecem na hora de sair de casa?
● Suas contas se escondem na hora de pagá-las?
● Os nomes de arquivos fogem da sua memória quando você quer usá-los?
● Normalmente você percebe que não está com o material necessário para trabalhar depois que já começou a trabalhar?
● É comum você engatinhar pelo chão à procura do controle remoto da TV?

Se você gasta mais de cinco minutos por dia procurando as coisas que você precisa, então sua desorganização está interferindo na sua produtividade.

Dicas

● Dedique tempo à organização – Raramente o tempo gasto com organização é tempo perdido. Algumas pessoas têm a idéia equivocada de que ser organizado e metódico é ser chato. Esqueça o mito de que desorganização está relacionada com genialidade. Muitas pessoas brilhantes e criativas são altamente organizadas. A maioria das pessoas extremamente bem-sucedidas são muito organizadas. Por outro lado…

● Evite organização obsessiva – Algumas pessoas organizam para evitar trabalhar. Se você arruma sua mesa e arquiva seus papéis a fim de procrastinar, pare! Um sinal de uma personalidade organizada em excesso é a idéia de que diversão é gastar quantias extravagantes em papelarias. Trabalhe primeiro e esbalde-se depois com aqueles produtos novos e de cores combinando.

● Determine um local – Escolha e então use sempre um local especial para colocar chaves, carteira, celular ou qualquer outro item que você costume perder tempo procurando. Por exemplo, se você tiver um gancho – ou uma gaveta específica – para automaticamente colocar as chaves assim que entrar em casa, você economizará várias horas a cada ano e chegará a tempo para os compromissos com mais freqüência.

● Faça da pontualidade um hábito – Pessoas desorganizadas costumam ser atrasadas. Estar sempre correndo aumenta a pressão sangüínea e produz picos de adrenalina, que prejudicam a saúde. Você se sentirá mais tranqüilo e sob controle se deixar tempo suficiente para chegar em tempo. Chegar atrasado é sempre um insulto sutil à pessoa que fica esperando. É uma forma não-verbal de dizer: “Meu tempo é mais importante do que o seu”. Pare de esnobar os outros!

● Coloque em ordem seu ambiente de trabalho – Comece e termine cada sessão de trabalho com cinco minutos de arrumação. Você se sentirá melhor com seu espaço, e a confusão começará a desaparecer.

● Centralize seus compromissos – Tenha todos os compromissos, listas de pendências e planos de trabalho em um único local. Consiga uma agenda em papel ou digital e use-a sem exceção. Algumas pessoas têm várias agendas – uma para os planos da família, uma para o trabalho, etc. Quando são usados vários sistemas, as datas podem entrar em conflito e alguns compromissos podem ser completamente esquecidos.

● Fique longe de Post-its – Notas auto-adesivas são a perdição dos profissionais. Faça suas anotações em documentos que não se percam. Lembre-se também de, quando anotar um número de telefone, anotar o nome da pessoa a quem se refere o telefone. Quantas vezes você já não encontrou um número rabiscado e não conseguiu lembrar por que ele estava ali?

● Use um programa de computador para anotar e articular referências – Programas como o End Notes são uma bênção para estudantes. Eles não apenas economizam horas de digitação e previne erros, mas também podem ser usados para outras funções. Ao ler um artigo, em vez de rabiscar nas margens ou em notas auto-adesivas, crie um parágrafo de resumo no End Notes. Você terá meio caminho andado quando começar um trabalho de crítica literária. Se você é do tipo que esquece o nome de pastas e arquivos, digite cada nome na seção apropriada do End Notes para que você consiga encontrar o texto depois.


(Mary McKinney, psicóloga na Successful Academic Consulting. Texto publicado no site www.successfulacademic.com. Traduzido e adaptado por Marily Sales dos Reis.)

terça-feira, janeiro 29, 2008

Tempo é sucesso

As decisões que você toma a cada hora, cada dia, cada semana, ao longo de cada ano, definem sua vida. As escolhas determinam se você será ou não bem-sucedido.

Uma administração cuidadosa do seu tempo é fundamental. Em vez de permitir que acontecimentos externos e pressões controlem você, faça escolhas deliberadas quanto ao uso do tempo. Desenvolver uma vida coerente com seus desejos e valores mais profundos consiste em estabelecer prioridades, fazer planos e, então, prosseguir de acordo com esses planos.

● Estabeleça metas de longo prazo — Transforme seus sonhos em realidade permitindo-se elaborar uma visão do seu futuro. Pense grande. Coloque suas metas num lugar visível para ajudá-lo a permanecer motivado.

● Determine suas prioridades — Use as metas de longo prazo para produzir ações concretas, que o levarão na direção que você deseja. Classifique esses passos de forma que os itens mais importantes possam ser trabalhados primeiro.

● Questione-se — Pergunte-se constantemente: “Qual a melhor forma de usar meu tempo neste exato momento?” Se não for importante ou urgente, não faça.

● Resolva a parte mais difícil primeiro — Para desenvolver uma vida eficaz, comece cada dia trabalhando os itens que o deixa mais ansioso. Depois de enfrentar o trabalho mais difícil, as próximas atividades parecerão mais fáceis.

● Enxergue longe — Planejar o tempo nunca é tempo perdido. Reserve períodos semanais regulares para avaliar tanto as metas de curto prazo como as de longo prazo. Separe tempo a cada dia para trabalhar suas altas prioridades. Analise como foi a semana anterior e veja o que você precisa mudar a fim de ser mais eficaz.

● Adie tarefas secundárias — Resista à tentação de resolver pequenas pendências primeiro. Comece com as altas prioridades. As coisas mais simples podem esperar até você ter um intervalo.

● Escreva os resultados — Se as grandes listas de pendências fazem você se sentir oprimido, tente escrever listas de tarefas cumpridas no fim de cada dia. Fazer um acompanhamento de suas realizações pode ajudá-lo a permanecer motivado.

● Reserve seu primeiro horário — Separe, para as tarefas mais desafiadoras, as horas do dia em que você costuma estar mais disposto. Aproveite bem esse tempo.

● Identifique seu horário de maior produtividade — A maioria de nós atinge o ápice intelectual na parte da manhã. Começar o dia com um período de produtividade também nos ajuda a estar de bem conosco no resto do dia. Contudo, alguns de nós são verdadeiras “corujas” — produzem mais à noite, quando as distrações diminuem. Use seu melhor horário com sabedoria.

● Cronometre o tempo — Antes de começar uma atividade, marque o tempo e, depois, anote quanto tempo você levou para concluí-la. Observe quais são as situações em que você costuma subestimar ou superestimar o tempo de realizar uma atividade. Podendo prever quanto tempo você leva para realizar algo, será possível fazer um planejamento mais preciso.

● Aproveite pequenos intervalos — Tenha uma lista de pequenas pendências para intervalos entre os compromissos. Tenha sempre em mãos algo para ler no caso de você estar numa fila, no ônibus ou esperando o início de algum evento.

● Aproveite seu tempo livre — Para permanecer produtivo, você precisa fazer intervalos. Separe tempo para rejuvenescer.

(Mary McKinney, psicóloga na Successful Academic Consulting. Texto publicado no site http://www.successfulacademic.com. Traduzido e adaptado por Marily Sales dos Reis.)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Feliz olhar novo!

(...)

O ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que machucou. Normal.

O próximo ano não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim…

(...)

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento. Lembre-se sempre do dito popular: "Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade".

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro e perdoar.

O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular… ou… pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você!

Pode ser. E que seja!

FELIZ OLHAR NOVO!

(...)

(Autor desconhecido)

Nota: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28).

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Sonhos

"Sonhos são a matéria-prima de qualquer realização". Não sei quem disse essa frase, mas são palavras sábias. Sonhar é fundamental para qualquer conquista. É aí que começa a história de uma pessoa bem-sucedida.

Contudo, pessoas frustradas também sonham. Se não sonhassem não se frustrariam. A diferença está na forma como cada um busca a realização dos seus sonhos. Uns apenas sonham. Outros sonham de mangas arregaçadas. E alguns sonham de mangas arregaçadas e olhando para o alto.

Para estes últimos, Deus é quem efetua “tanto o querer como o realizar” (Filipenses 2:13). Apesar de insistirem, resistirem e persistirem, dependem não de seu próprio potencial, mas dAquele “que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). Estes, sim, não conhecem frustração, derrota ou barreiras intransponíveis, “porque para Deus não haverá impossíveis” (Lucas 1:37).

Por isso, meu desejo é que 2008 seja para você um ano de muitos sonhos, mas principalmente de muita dependência de Deus, para que sua realização seja garantida.

Sucesso!

(Marily Sales dos Reis)

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Base científica para a guarda do sábado

A ciência está ampliando o conhecimento sobre biorritmos. Sabe-se que para várias funções orgânicas existe o que cientistas chamam de “ritmo do sétimo dia”. Algo ocorre em nosso corpo em certas circunstâncias no sétimo dia do evento, seja uma cirurgia, transplante ou liberação de hormônios. Precisamos desse tipo de biorritmo.

Dr. Halberg do Laboratório de Cronobiologia da Universidade de Minesota, nos Estados Unidos, é um líder na pesquisa de biorritmo naquele país. Em colaboração com outros cientistas de várias nações, ele documentou o ritmo do sétimo dia no ser humano. (Halberg F., and E. Halberg. Conceptualization and Validation of a Circaseptenary Clinospectral System. Abstracts, Second International Conference on Immunopharmacology, Sheraton Park, Washington, D.C., July 5-10, 1982, 340-341.)

Monitoraram os batimentos cardíacos de um homem durantes vários meses enquanto ele permanecia em um ambiente totalmente isolado com todas as condições controladas e nada do mundo exterior poderia interferir com seus ritmos internos corporais. Quando os dados foram analisados, seu coração mostrou claramente um ritmo do sétimo dia. (McCluskey, E.S. Light-Dark Cycle Entrainment of Circadian Rhythms in Man. The Biologist 65:17-23, 1983.)

Usando-se poderosos métodos de computadores, um grupo de cientistas analisou cuidadosamente modelos de produção de hormônios esteróides coletados da urina de um homem saudável durante um período de 15 anos. Os resultados das análises hormonais mostraram que a excreção desses hormônios também ocorria num ritmo do sétimo dia. (Halberg, F., M. Engeli, C. Hamburger, et al. Spectral Resolution of Low-Frequency, Small-Amplitude Rhythms in Excreted 17-Ketosteroids; Probably Androgen-induced Circaseptan Desynchronization. Acta Endocrinológica. Suppl. 103:5-53, 1965.)

Outro grupo de pesquisadores estudou mais de 70 homens jovens que tiveram um ou mais dentes molares extraídos. Cada dia após a cirurgia, suas faces e maxilares foram medidos cuidadosamente. É de se supor que o edema (inchação) na face diminuiria nos próximos dias após a cirurgia para a extração dos dentes. Mas isso não ocorreu. Verificou-se a presença de um ritmo do sétimo dia quanto à inchação local. (Pollman, L. and G. Hildebrandt. Long-Term Control of Swelling After Maxillo-Facial Surgery: A Study of Circaseptan Reactive Periodicity. Inter. J. Chronobiology, 8:105-114, 1982.)

Observou-se também que em várias cirurgias de transplante de rim ocorre esse ritmo de sete dias, já que se verificou que a rejeição ocorria após sete dias da operação. (De Vecchi, A., F.Halberg, R.B. Sothern, et al. Circaseptan Rhythmic Aspects of Rejection in Treated Patients with Kidney Transplants. Inter. J. Chronobiology, 5:432, 1978.)

Esse tipo de biorritmo é chamado de “circaseptano”, também encontrado em macacos, cachorros, ratos e outros organismos. Isso parece revelar que o ritmo do sétimo dia é um mecanismo normal existente na fisiologia de organismos vivos.

Alguns cronobiologistas crêem que esse tipo de biorritmo – o do sétimo dia – pode revelar que os organismos precisam de uma certa pausa como um estímulo para continuarem vivendo.

Durante a Revolução Francesa (1789-1799), cientistas seculares tentaram revolucionar a semana de sete dias, instituindo uma semana de dez dias. Foi um caos. O matemático e senador La Place teve um papel importante em restaurar o modelo anterior dos sete dias na semana. Simplesmente não funcionou!

Na Bíblia, em Gênesis 2:1-3, está escrito:

“Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.”

E o líder Moisés, pioneiro em medicina preventiva e melhoras sociais, escreveu:

“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:8-11)

Aliás, esse é o quarto mandamento da Lei de Deus - o único que descreve quem é o Deus dos outros nove mandamentos.

Que paralelo fantástico entre as Escrituras Sagradas e a moderna ciência! Sabemos hoje que um dos componentes para redução do estresse é um descanso semanal, a ênfase na importância da dimensão espiritual do ser humano e as práticas naturais de saúde. Jesus foi totalmente científico quando disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” (Marcos 2:27) Ele falava desse biorritmo há 2000 anos atrás e do amor de Deus em preparar um dia de descanso, de reflexão, de serviço espiritual especial e de culto ao Criador dos Céus e da Terra.

(Bernell Baldwin, Ph.D., professor de neurofisiologia e fisiologia aplicada no Wildwood Lifestyle Center and Hospital, pesquisador e articulista do The Journal of Health and Healing.)

terça-feira, setembro 11, 2007

Escolha ser feliz

Se tem uma coisa que eu admiro no meu marido é o seu otimismo. É incrível como ele sempre consegue enxergar algo bom nas situações mais desalentadoras. Agradeço a Deus por ter colocado essa pessoa tão especial ao meu lado para me ensinar essa virtude.

No mundo injusto em que vivemos, muitas vezes não é fácil ser assim otimista, manter a fé e a esperança, perdoar, superar, ter domínio próprio, encontrar motivos para sorrir e reverter situações que às vezes são aparentemente irreversíveis. Fácil é colocar-se na defensiva, achar um bode expiatório, dar uma de vítima, entregar-se à lamentação e à revolta e deixar a vida nos levar.

Mas não é essa vida medíocre que Deus deseja para nós. Ao contrário do que disse outro dia uma professora agnóstica mal-informada, a vida do cristão é uma vida de superação. Mesmo que as coisas não sejam como gostaria, o lema do cristão é: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13, 14).

Por isso, se você está se sentindo injustiçado, frustrado, desanimado ou incapaz, não se entregue. Faça como o autor do texto a seguir: quaisquer que sejam as circunstâncias da sua vida, escolha ser feliz!

“Talvez eu venha a envelhecer rápido demais, mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.

“Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer da minha vida, mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.

“Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais, mas jamais irei me considerar um derrotado.

“Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda, mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.

“Talvez um dia o sol deixe de brilhar, mas então irei me banhar na chuva.

“Talvez um dia eu sofra alguma injustiça, mas jamais irei assumir o papel de vítima.

“Talvez eu seja enganado inúmeras vezes, mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.

“Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros, mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.

“Talvez algumas pessoas queiram o meu mal, mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.

“Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris, mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.

“Talvez hoje eu me sinta fraco, mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.

“Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações, mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas." (Aristóteles Onassis)

(Marily Sales dos Reis)

segunda-feira, setembro 10, 2007

O amor verdadeiro

Enquanto apresentava um estudo bíblico para um grupo de pessoas, um jovem fez uma declaração que me deixou pensativo: “Os adventistas são doutores em teologia, mas acho que ainda falta-lhes entender o real sentido do amor.”

Ao dirigir-me para casa, lembrei-me das palavras de outros irmãos (alguns hoje, infelizmente, são ex) que igualmente alegavam haver falta de amor na Igreja. Imediatamente fui à Bíblia e li o “salmo do amor” – 1 Coríntios 13 – em busca de uma resposta à pergunta: O que é esse amor que, dizem, falta-nos?

[Continuação]

(Michelson Borges, jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e mantenedor do blog www.michelsonborges.com)

sexta-feira, julho 20, 2007

Slow down – diminua o ritmo

Já vai para dezesseis anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra.

Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito nesse prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações e trabalham num esquema bem mais slow down. O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles, com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:

1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel, Biocare (nada mal, hein?);
5. Para se ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nesses nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam muitos dos nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles.

Vou contar para vocês uma breve história só para dar uma noção.

Na primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo, e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, quando o estacionamento ainda está vazio, e você deixa o carro lá no final."

Sua resposta foi simples assim:

"É que chegamos cedo. Então, temos tempo de caminhar – quem chegar mais tarde, já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?"

Olha a minha cara! Ainda bem que levei essa logo na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos dali para frente.

Há um grande movimento na Europa hoje chamado slow food. A Slow Food International Association, cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é contrapor-se ao espírito do fast food e o que ele representa como estilo de vida, que o americano endeusou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do slow food está servindo de base para um movimento mais amplo, chamado slow Europe, como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" geradas pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter", em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana), são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada slow atitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do fast (rápido) e do do it now (faça já).

Portanto, essa "atitude sem pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade", com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos stress. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do “local” - presente e concreto - em contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos felizes fazem com prazer o que sabem fazer de melhor.

Gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados "devagar se vai ao longe" ou, ainda, "a pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo.

E quer saber do melhor? Parabéns por você ter lido até o final! Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.

Pense e reflita. Até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família, de ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas? Poderá ser tarde demais... saber aprender para sobreviver...

Autor desconhecido (brasileiro que vive na Europa).

Nota: Já dizia Jesus: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? [...] Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:25, 33, 34)

quarta-feira, julho 04, 2007

Cristianismo incoerente

Um dos episódios da vida de Cristo que mais tocam meu coração é aquele em que uma mulher adúltera é humilhada perante Ele (João 8:1-11). Como sempre, sem o mínimo de compaixão e com ar de superioridade, os escribas e fariseus estão prontos a apedrejá-la. Mas antes, é claro, não poderiam perder mais essa oportunidade de colocar Jesus contra a parede.

"Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor o que diz?" Com grande sabedoria e autocontrole, Jesus apenas se inclina e começa a escrever na areia. O quê? Nada mais nada menos do que os criminosos segredos de cada acusador. "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela", desafia. Temendo que seus pecados ocultos fossem expostos perante a multidão, um a um, cabisbaixos e humilhados, retiram-se em silêncio. Então, voltando-se para a mulher, Jesus diz: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado."

Como você se sentiria se estivesse no lugar dessa mulher? Com certeza, extremamente grato e motivado a melhorar de vida, não é? Pois foi exatamente assim que ela se sentiu. "Isto foi para ela o início de uma nova vida, vida de pureza e paz, devotada ao serviço de Deus." (O Desejado de Todas as Nações, p. 462). E por que não agimos assim com os que se encontram em situação semelhante? Por que insistimos em enfatizar os erros do marido, da esposa, dos filhos ou dos pais, como se fôssemos perfeitos? Por que somos tão duros ao lidar com alguém que cometeu um deslize? Por que temos o hobby de julgar, comentar, divulgar ou mesmo ridicularizar os pontos fracos dos outros?

"Os que são mais prontos a acusar a outros e zelosos em os levar à justiça são freqüentemente em sua própria vida mais culpados que eles. (...) O amor cristão é tardio em censurar, pronto a perceber o arrependimento, pronto a perdoar, a animar, a pôr o transviado na vereda da santidade e a nela firmar-lhe os pés." (Ibidem, p. 462).

Envergonho-me ao lembrar quantas vezes agi como fariseu, contribuindo para o descrédito no cristianismo. Afinal, quem vai querer ser membro de uma religião cujos membros são fofoqueiros, críticos, orgulhosos e insensíveis? O problema, no entanto, não está no cristianismo, mas em nós, cristãos, que muitas vezes somos tão incoerentes, a ponto de pregarmos um amor que sequer conhecemos na prática.

Lembra-se do "novo" mandamento? "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros." (João 13:34). Na verdade, ele nada tem de "novo". Quando Jesus fez essa declaração, ele o fez simplesmente porque os "cristãos" da época haviam reduzido a religião a um mero conjunto de regras. A Lei de Deus, na prática, havia perdido sua essência (o amor) dando lugar a uma religião formal e vazia – daí a necessidade de um "novo" mandamento.

Esse é o ideal de Deus para nós: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Somente esse tipo de amor nos habilitará a sermos cristãos coerentes, atuando como sal na terra e luz no mundo.

Marily Sales dos Reis

quinta-feira, junho 21, 2007

Permaneça

[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 22/06/07, publicado no site Escola no Ar]

A esta altura, provavelmente você esteja convencido de que é fundamental estudar a Bíblia para crescer espiritualmente. Mas, me diga, Satanás também não conhece a Bíblia de cór e salteado? E por que não funcionou no caso dele? A resposta está em João 8:44: porque ele "não se apegou à verdade". Em outras palavras, porque ele não permaneceu no caminho certo. Não basta ter aceitado a Jesus no batismo, ter tido uma experiência espiritual incrível na semana passada ou ter estudado a Bíblia ontem. A “experiência de ontem não me salvará das provações de hoje” (Jim Hohnberger, Fuga Para Deus, p. 60). Esse é o segredo do crescimento espiritual: permanecer em Cristo. Veja como a Bíblia enfatiza isso:

"Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará" (Jo 8:31).

"Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. [...] Se vocês permanecerem em mim [...] pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. [...] Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor" (Jo 15:5-7, 10).

"Permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu" (2 Tm. 3:14).

"Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou. [...] permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda" (1 Jo 2:6, 28).

"Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus" (2 Jo 1:9).

Esses textos nos dizem exatamente como permanecer em Cristo e o que acontecerá se fizermos isso. Não é demais?! Deus nos deixou um mapa com todas as orientações para encontrarmos o caminho de volta para casa. Não precisamos chorar, não estamos perdidos. Estamos no caminho certo. Aliás, estamos quase lá. Mas cuidado! Não tire seus olhos do mapa, não se distraia pelo caminho. Seu Pai está esperando ansioso a sua chegada. Boa viagem!

Pense: "Conservemos os olhos em Jesus e Ele nos preservará. Olhando para Jesus estamos seguros. Coisa alguma nos poderá arrancar de Sua mão. Contemplando-O constantemente seremos 'transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor'" (Caminho a Cristo, p. 72).

Dica: Releia os comentários desta semana e faça um plano de ação para crescer em Cristo, assim como se faz numa empresa ou na vida pessoal para se alcançarem metas. Quando sabemos exatamente para onde estamos indo e quais os passos necessários, fica muito mais fácil chegar lá.

Marily Sales dos Reis

Vida cheia do poder do Espírito

[Comentário da Lição da Escola Sabatina Jovem de 21/06/07, publicado no site Escola no Ar]

Você já viu uma igreja cheia do Espírito Santo? Não estou falando de igrejas onde pessoas falam línguas estranhas ao mesmo tempo, gritam e rolam no chão. Falo de igrejas onde existem ordem, união e amor. Apesar de haver ali indivíduos diferentes, com personalidades, habilidades e idéias diferentes, não há divisão entre eles - todos se respeitam e se preocupam uns com os outros. "Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele" (I Cr. 12:26).

Era assim a igreja primitiva: "Todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um" (At. 2:44, 45).

Agora veja o oposto dessa igreja em Ezequiel 37. Um vale de ossos - é assim que Deus considera a igreja que não tem o Espírito. Ela pode até ter ótimas programações e membros ativos, mas, se seus membros não tiverem os frutos do Espírito (veja Gl. 5:22), será uma igreja morta. E, quando eu digo igreja, falo de mim e de você. Se eu e você estivermos cheios do Espírito de Deus, poderemos ser veículos de milagres. Lembra-se de Pedro no Pentecostes? Em um único dia, ele, sozinho, levou 3 mil pessoas ao batismo – tudo porque havia se entregado individualmente a Deus.

"Se todos estivessem dispostos, todos seriam cheios do Espírito. Onde quer que a necessidade do Espírito Santo seja um assunto de que pouco se pense, ali se verá sequidão espiritual, escuridão espiritual e espirituais declínio e morte" (Atos dos Apóstolos, p. 50).

E como receber o Espírito Santo?

"Não é prova conclusiva de que um homem é cristão o manifestar ele êxtases espirituais sob circunstâncias extraordinárias. Santidade não é arrebatamento: é inteira entrega da vontade a Deus; é viver por toda a palavra que sai da boca de Deus; é fazer a vontade de nosso Pai celestial; é confiar em Deus na provação, tanto nas trevas como na luz; é andar pela fé e não pela vista; é apoiar-se em Deus com indiscutível confiança, descansando em Seu amor" (Ibidem, p. 50).

Pense: "Se somos de Cristo, nossos pensamentos estarão com Ele, e nEle se concentrarão nossos mais doces pensamentos. Tudo que temos e somos será consagrado a Ele. Teremos o desejo de refletir Sua imagem, possuir Seu Espírito, cumprir Sua vontade e agradar-Lhe em tudo" (Caminho a Cristo, p. 58).

Dica: O livro que estou lendo atualmente, Vida Plena de Poder, tem me ajudado a ter uma vida e um lar cheios do Espírito de Deus. Tenho certeza de que o ajudará também. (Veja aqui um trecho do livro.)

Marily Sales dos Reis

Negar o eu?

[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 20/06/07, publicado no site Escola no Ar]

O que é submeter o eu ou negar o eu? Provavelmente você já ouviu muito essas expressões e sabe da importância disso para a vida espiritual. Mas o que significa na prática? Essa foi a pergunta que uma pessoa angustiada me fez certa vez. Sendo uma pessoa muito sincera e autêntica, ela não conseguia se imaginar anulando-se para poder cumprir essa orientação bíblica. Será que negar o eu significa isso – anular-se?

Vamos raciocinar juntos. Você pode ser feliz numa amizade, num namoro ou mesmo num casamento em que você se anula, em que sua opinião, sua identidade, seus sentimentos não são valorizados? Claro que não. Então como um Deus de amor poderia lhe pedir isso? Não, não é assim que Deus age. Quando Jesus disse "se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me" (Lc. 9:23), ele estava querendo dizer que precisamos estar dispostos a abrir mão dos nossos pecados, daquilo que nos afasta dEle, e não da nossa individualidade. Ele sabe que essa é a única forma de sermos felizes.

Infelizmente, "muitos se perderão enquanto esperam e desejam ser cristãos. Não chegam ao ponto de entregar a vontade a Deus" (Caminho a Cristo, p. 48). São pessoas que preferem se deixar levar pelos próprios sentimentos. É mais gostoso comer o que o paladar pede, ver o que os olhos desejam, fazer o que o corpo quer. Mas "o coração é mais enganoso que qualquer outra coisa" (Jr. 17:9). Por isso, não podemos confiar em nossos sentimentos. Precisamos aprender a depender de Deus.

Talvez isso tudo pareça muito difícil no começo, mas não desista! Se a sua motivação for o amor a Deus e a confiança nEle, pode ter certeza de que, em breve, você estará naturalmente rejeitando coisas sem as quais você nem conseguia se imaginar vivendo. "Quando aprendemos a sempre escolher Cristo como o primeiro, o último e o melhor em tudo, logo nossas escolhas viram hábitos – e são os hábitos que formam nosso caráter" (Jim Hohnberger, Fuga para Deus, p. 69).

Pense: "Nosso Pai celeste não impede a qualquer de Suas criaturas que siga o caminho dos prazeres. Deus deseja tão-somente nos orientar a não ir em busca dos prazeres que poderiam trazer sofrimentos e desilusões para nós e nos fechariam as portas da felicidade e do Céu" (Caminho a Cristo, p. 46).

Dica: Os dois livros que mais me ajudaram a entender o que significa "negar o eu" foram Fuga para Deus e Caminho a Cristo. São livros bem práticos e objetivos, que apresentam um cristianismo vibrante e genuíno que poucos conhecem na prática. O Fuga para Deus é fascinante também porque relata experiências reais do próprio autor (clique aqui para ler uma de suas experiências). Vale a pena ler e reler!

Marily Sales dos Reis

O segredo é o amor

[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 19/6/2007, publicado no site Escola no Ar]

No comentário de sábado, eu disse que a coisa mais importante que aconteceu comigo desde que comecei a ter uma comunhão íntima com Deus foi o desenvolvimento de um amor mais profundo e verdadeiro por Jesus. Na verdade, não foi algo que aconteceu, mas que vem acontecendo. Quanto mais conheço a Cristo, mais me apaixono por Ele. Não há como estudar a Bíblia com o coração aberto e não ser contagiado por esse amor.

Outra coisa que eu percebo que tem mudado no meu relacionamento com Deus é a obediência a Ele. Antes, ir à igreja, estudar a lição, testemunhar, guardar o sábado, assumir cargos na igreja e cumprir outras "regrinhas" eram pesadas obrigações. Foi estudando a Bíblia que eu descobri que aquela religião que eu seguia não era cristianismo, e sim legalismo. Essa busca da salvação pelas obras só me deixava mais infeliz e frustrada, assim como se sentia Martinho Lutero.

Hoje, se eu faço essas coisas, não é mais por obrigação ou interesse, mas por amor a Deus. "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos" (Jo. 14:15), disse Jesus. Agora, sim, é um prazer ser cristã. Então, se você não tem disposição para fazer essas coisas, não caia no mesmo erro. Busque conhecer a Deus, aprenda a amá-lo. Entregue-se de coração ao estudo da Bíblia e à oração. Você vai ver como será espontâneo obedecer-lhe.

Pense: "Os que se sentem tocados pelo amor de Deus não perguntam quão pouco deverão dar para satisfazer às exigências de Deus; não procuram saber qual a mais baixa norma, mas seu desejo é estar em perfeita harmonia com a vontade de seu Redentor. [...] Alguém dizer que aceita a Cristo sem demonstrar profundo amor não passa de um simples jogo de palavras, formalidade inútil, uma tarefa pesada e desagradável" (Caminho a Cristo, p. 45).

Dica: Avalie seu nível de amor. Pergunte-se: Você é mais amável hoje do que quando conheceu a Cristo? Hoje em dia, você tem mais facilidade de perdoar do que no início da sua caminhada cristã? É mais natural para você aceitar os outros agora do que há alguns anos? Se sim, é um sinal de que você está progredindo espiritualmente. Parabéns! Mas cuide para que esse amor continue crescendo. Se a sua resposta foi não, calma, não se desespere. Comece a orar diariamente sobre isso, peça mais amor, siga as orientações da lição e do comentário de hoje. Você ficará surpreso com a transformação que Deus fará no seu caráter.

Marily Sales dos Reis

Cuidado com a "obesidade espiritual"!

[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 18/06/07, publicado no site Escola no Ar]

Lembra da última mensagem de Cristo antes de subir ao Céu? "Vão e façam discípulos" (Mt. 28:19), ele disse. Mas o que é um discípulo? Esse era um termo muito usado no mundo grego de antigamente. Você já deve ter estudado ou ouvido falar dos famosos filósofos gregos Aristóteles, Platão e Sócrates. Costuma-se dizer que um era discípulo do outro, ou seja, Aristóteles era aluno de Platão, que por sua vez era aluno de Sócrates. Todos seguiram e passaram para frente a filosofia de seu mestre.

Esse mesmo conceito foi aplicado no Novo Testamento. Basta lembrar dos apóstolos de Cristo, também chamados de discípulos. Da mesma forma, eles não apenas estudaram a filosofia de Cristo, mas a praticaram.

"Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes" - é a advertência de Tiago (1:22). Então, discípulo de Cristo ou, em outras palavras, cristão é aquele que não apenas lê a Bíblia, mas quem a pratica, certo? Mas, voltando ao verso inicial, Jesus não diz simplesmente "sejam meus discípulos", mas "façam discípulos". Você está fazendo discípulos? Está se empenhando em levar pessoas a Cristo de alguma forma?

Imagine uma pessoa que come, come, come, mas nunca se exercita. O que vai acontecer? Provavelmente vai ficar obeso, não é? E, mesmo que não tenha tendência para engordar, com certeza terá problemas de saúde.

Agora vamos imaginar essa mesma situação num contexto espiritual. Você é um cristão dedicado, que sempre estuda a Bíblia, conversa com Deus e freqüenta a igreja. Aliás, depois de estudar a lição de ontem, você até chegou à conclusão de que não é mais um bebê na vida espiritual. Ótimo! Você realmente tem se alimentado bem. Mas e o exercício? E o testemunho, as atividades missionárias, o "fazer discípulos"?

Se você e eu estamos nessa situação, se não estamos nos exercitando espiritualmente, estamos correndo um grande perigo - o perigo de "assimilarmos a verdade, não fazer nada com ela, continuar a assimilar mais verdade, assentarmo-nos confortavelmente sobre ela, e prosseguir nesse processo até ficarmos tão inchados espiritualmente que não podemos mais nos mover" (Tony Evans, Discipulado Espiritual Dinâmico, p. 30). É exatamente isso: muitos de nós estamos correndo o risco de nos tornar obesos e doentes espiritualmente!

"O discipulado é um processo de transferência. O ciclo não se fecha até que estejamos ensinando a outra pessoa o que Deus operou em nossas vidas. [...] Devemos nos exercitar, utilizando o que aprendemos para mudar nossa vida, nossas comunidades e ajudar a trazer outras pessoas para a fé. Caso contrário, o que estamos assimilando deixa de nos alimentar. [...] O discipulado mantém a gordura afastada, permitindo que queimemos as calorias espirituais quando colocamos em prática a verdade de Deus" (Ibidem).

Por isso, minha dica de hoje é: MEXA-SE! Nada de ficar "aquecendo banco" de igreja ou fugindo dos apelos ao trabalho missionário! Se a preguiça ou a vergonha continuarem perseguindo-o, lembre-se de que sua saúde espiritual está em jogo e peça a ajuda de Deus. Com certeza, Ele lhe dará a injeção de ânimo que você precisa.

Pense: "Tão logo uma pessoa se aproxima de Cristo, sente o desejo de apresentar aos outros o precioso amigo que encontrou em Jesus. [...] Se estamos envolvidos pela justiça de Cristo e cheios de alegria, que é o resultado de Seu Espírito morar em nós, será impossível ficarmos calados" (Caminho a Cristo, p. 78).

Dica: Escolha um dos métodos evangelísticos a seguir para exercitar sua fé:
* Adote um amigo - Faça amizade com alguém que esteja começando a freqüentar a igreja e o envolva em suas atividades e em seu grupo de amigos.
* Apoio virtual - Envie e-mails com palavras de incentivo e um verso bíblico para alguém que esteja passando por problemas. Cadastre-se como voluntário no site Bíblia Online.
* Evangelismo digitalizado - Empreste ou dê de presente CDs musicais ou DVDs com cursos bíblicos, apresentações musicais ou sermões.
* Ombro amigo - Fique atento para perceber as necessidades das pessoas à sua volta. Se alguém estiver triste, solitário ou doente, ore com ele e inclua-o em sua lista de oração.
* Una o útil ao agradável - Use seus dons para pregar o evangelho. Seja criativo.
* Megaprojetos - Missão Calebe, Impacto Rio, Vamos Abalar.

Marily Sales dos Reis

Leite ou alimento sólido?


[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 17/06/07, publicado no site Escola no Ar]

Minha experiência é bem semelhante à da autora da lição de hoje (veja meu testemunho no comentário de ontem). Houve uma época em que minha religião era simplesmente uma cópia da religião dos meus pais. Eu era um bebê, espiritualmente falando. Dependia totalmente dos sermões, das atividades da igreja e dos ensinos dos meus pais para me alimentar. Foi quando Deus me fez perceber que estava na hora de deixar a "papinha". Assim como não foi fácil deixar a mamadeira quando eu era criança, não foi fácil aprender a me alimentar sozinha na vida espiritual. Mas foi uma mudança necessária.

Pense agora na sua própria experiência. Você já consegue buscar a Deus por conta própria, sem que seus pais chamem a atenção? Quando você conversa com Deus: apenas na igreja ou também em casa? Qual é sua principal motivação para ir à igreja: encontrar os amigos, satisfazer uma obrigação ou conhecer e amar mais a Deus? Você depende de sermões, músicas, "shows", acampamentos e semanas de oração para sentir a presença de Deus, ou você consegue senti-la no dia-a-dia, independentemente de experiências diferentes e excitantes?

Respondendo a essas perguntas, você já pode ter uma idéia da sua situação espiritual hoje. Se você já está comendo "alimento sólido", ótimo! Agora, se você está na "papinha", atenção! Você pode ou não estar com um problema. Vou explicar...

Imagine um bebê de 9 meses. Você estranharia se ele mamasse ou engatinhasse? Claro que não. E se você visse uma criança de 9 anos mamando e engatinhando? Você pensaria que ela tem algum problema, não é?

Na vida espiritual, é a mesma coisa. Se você é cristão há pouco tempo, é normal que você ainda precise muito da ajuda dos outros para se manter nutrido. Mas se já faz alguns anos que você conhece a Cristo e continua "engatinhando", se ainda depende dos outros para "ficar em pé", para ir à igreja, para buscar a Deus, aí, sim, você está com um problema.

Portanto, o problema não é ser um bebê espiritualmente, mas permanecer assim por muito tempo. A questão é: você está progredindo ou não? Mas vamos deixar para falar mais sobre esse assunto amanhã. Até lá!

Pense: "Consagre-se a Deus pela manhã. Faça disso sua primeira tarefa." (Caminho a Cristo, p. 70).

Dica: Se você ainda não tem o hábito de fazer a "hora tranqüila" (culto pessoal), comece a orar pedindo a ajuda de Deus para praticá-la. Era assim que Jesus conseguia poder para vencer as tentações (veja Mt. 14:23 e Mc. 1:35). Comece com 15 minutos e, aos poucos, vá aumentando o tempo. Se preferir, estude a Bíblia numa linguagem moderna, cante uma música que você goste, faça o ano bíblico juntamente com os livros de Ellen White, enfim torne este momento o mais agradável possível. Você vai ver como seu dia será muito mais produtivo e feliz e como sua sede de Jesus aumentará progressivamente.

Marily Sales dos Reis

Crescendo através da Palavra


[Comentário da Lição da Escola Sabatina de Jovens de 16/06/07, publicado no site Escola no Ar]

1o. de janeiro de 1998. Lembro como se fosse hoje. Lá estava eu, com meu diário aberto, escrevendo meus planos para um novo ano. Na verdade, muito mais do que isso - eram decisões para uma nova vida. A principal delas: recomeçar minha caminhada com Deus.

Sem dúvida nenhuma, aquele dia foi um marco na minha vida. Hoje, ao olhar para trás, vejo que cada um daqueles objetivos foi alcançado – não por mérito meu, mas pelo poder de Deus, que começou a atuar de forma mais intensa na minha vida quando decidi ter um relacionamento mais íntimo com Ele. Tudo que eu tenho e sou hoje é apenas conseqüência desse novo relacionamento com Cristo. (Veja meu testemunho mais detalhado.) E, de todas as bênçãos, a maior de todas, sem dúvida, foi o desenvolvimento de um amor mais profundo e verdadeiro por Jesus.

Como diz o verso-chave desta semana, o alvo do cristão deve ser "a altura espiritual de Cristo". No meu caso, ainda há um caminho muito longo a ser percorrido. Mas, quando penso em como é bom caminhar com Jesus, em quantas mudanças fantásticas Ele já efetuou na minha vida e em quantas pessoas também podem receber essas bênçãos através da minha influência, mal posso esperar pelos próximos degraus dessa escada espiritual!

Você gostaria de ter a experiência de Enoque, de andar com Deus diariamente? Eu gostaria, do fundo do meu coração! Então, que tal nos unirmos nessa caminhada? Estude comigo a lição desta semana e deixe aqui seus comentários. Será muito bom compartilhar nossas experiências. Aguardo você!

Pense: "É amando-O, imitando-O, confiando inteiramente nEle que haveis de ser transformados na Sua semelhança" (Caminho a Cristo, p. 71).

Dica: Confira o blog Contato Imediato. Ele foi criado exatamente para ajudá-lo no seu crescimento espiritual. Inspire-se com os testemunhos de jovens que têm experimentado as bênçãos da comunhão diária com Deus.

Marily Sales dos Reis

quarta-feira, junho 06, 2007

Não tenha medo de ser diferente

Peço licença ao meu amigo Leandro Quadros para usar o mesmo título de um artigo do seu blog (por sinal, muito bom). Quando li esse texto, pensei: que privilégio encontrar alguém autêntico! Na mesma hora, lembrei de outros dois amigos, que considero duas das pessoas mais sinceras e originais que já conheci. Sempre falo para eles que admiro muito essas suas qualidades e, dessa vez, não foi diferente. Fiz questão de enviar um e-mail para os dois dizendo: “É muito bom conviver com pessoas verdadeiras, sinceras, originais e alegres como vocês. A autenticidade de vocês é inspiradora. (PS.: Valeu pelo abraço, me fez muito bem. Hoje amanheci com o pé esquerdo...)”. Nesse dia, eu havia começado o dia meio triste e desanimada por causa de uns problemas, quando, de repente, entraram na minha sala esses dois colegas de trabalho para fazer a “terapia do abraço”. É assim que chamamos a dose diária de abraço que trocamos uns com os outros logo no início do dia. Se você já recebeu um abraço assim caloroso, sabe que é uma verdadeira terapia. “O abraço é milagroso, é medicina realmente muito forte. O abraço como sinal de afetividade, de carinho e de perdão pode nos ajudar a viver mais” (site Portal Verde).

Se tem uma coisa que eu admiro nas pessoas é essa autenticidade. Posso contar nos dedos quantas pessoas realmente autênticas eu conheço. O interessante é que todos procuram amigos sinceros, mas poucos têm coragem de ser. Por quê? Segundo os psicólogos Les e Leslie Parrot, no livro Relacionamentos, “todos nós temos o desejo natural e inato de ser reconhecidos, mas freqüentemente reprimimos a nossa vulnerabilidade porque ficamos com medo”. E assim vamos nos acomodando com a superficialidade e, pior, com a falsidade.

Mas o conselho bíblico é: “não sejam como os hipócritas” (Mateus 6:5). Em outras palavras: não usem máscaras, sejam vocês mesmos, assumam sua verdadeira identidade. Foi essa uma das lições que Jesus, o Mestre dos mestres, veio nos ensinar. Aliás, são deles as palavras citadas acima. Ninguém melhor do que Ele para condenar a hipocrisia. Alguém que vivia cercado de pessoas pobres e simples, mulheres (tão discriminadas na época), leprosos (condenados à clausura) e outros tipos de pessoas consideradas como escória da sociedade. Alguém que não se deixava intimidar pelo que os outros poderiam dizer ou pensar, mesmo correndo o risco de ser rejeitado, desprezado e até mesmo assassinado. Uma autenticidade surpreendente!

Talvez você esteja pensando: “Mas eu não vou correr esse risco de ser rejeitado”, como eu já pensei muitas vezes. Bem, a escolha é sua, mas saiba que, “se usarmos nossas máscaras por muito tempo, poderemos evitar a rejeição e até conquistar admiração, mas nunca nos sentiremos realizados. E isso significa que nunca conheceremos a verdadeira intimidade” (Les e Leslie Parrot). Sabe aquela sensação de liberdade, de alívio, de prazer indescritíveis que sentimos quando abrimos nosso coração a Deus ou quando desabafamos com aquela pessoa especial? É isso que podemos experimentar constantemente se tivermos a coragem de ser nós mesmos em todos os nossos relacionamentos.

Ninguém merece nem precisa viver sob o peso das aparências, seja no casamento, no trabalho ou em qualquer outra situação. O que o mundo precisa é de gente mais simples e transparente, como Jesus e como meus amigos Leandro, Odiléia e Ivacy. Por isso, não tenha medo: seja diferente, seja você mesmo. Você vai se surpreender com os resultados.

Marily Sales dos Reis

sexta-feira, maio 18, 2007

Átomos independentes

Dê uma olhada nas famílias ao seu redor. Seus membros são unidos em amor e empatia? Ou são simplesmente átomos independentes? Os pais conhecem seus filhos? Os filhos se rebelam e rejeitam a autoridade dos pais? Sua família é ocupada demais para ser uma família? O que aconteceu com as famílias, afinal?

É para tentar responder a essa última pergunta e ajudar a encontrar soluções para a situação caótica da família moderna que Jim Hohnberger, criador do Ministério Empowered Living, conta a seguinte alegoria em seu livro Vida Plena de Poder, da Casa Publicadora Brasileira:

Voltemos as páginas da história até cerca de seis décadas, em torno de 1945, perto do fim da Segunda Guerra Mundial. Em meio a um lindo bosque, onde a encosta de uma colina forma um anfiteatro natural, um ser de impressionante beleza está falando para um pequeno grupo de seguidores. Com voz majestosa e porte real, Satanás dirige-se aos demônios-chefes. “Famílias!”, exclama com voz empostada, dando largos passos diante deles. “Eu controlo a maior parte deste mundo, mas não consigo realizar a metade do que quero por causa dessas famílias nojentas! Muito bem, vamos dar um fim nisso!

“Devemos planejar tudo com muito cuidado, pois, desde aquele primeiro casamento no Éden, as famílias têm sobrevivido a guerras, fomes e conflitos políticos sociais. ... É como uma cidadela escorraçada, mas ainda forte o suficiente para proteger seus membros das milhares de facetas de nossa influência. Temos que mudar essa situação! As famílias não poderão ser eliminadas completamente. Por isso, devemos minar sua influência protetora, deixando, todavia, o exterior intacto e aparentemente saudável. Devemos separar os membros da família em tantas partes diferentes que eles lembrem átomos independentes. ...

“... Nesta primeira década, vamos deixar que façam progresso e prosperem. ... Esta geração sobreviveu à Depressão e depois de lutar, venceu a guerra. Agora, todos estão exaustos. Perderam sua juventude, e sua atenção está voltada para a tentativa de viver aquilo que adiaram. ...

“Na segunda década, poderemos ser mais proativos... . Com os avanços nos meios de transporte, será mais fácil viajar. Assim, faremos que viagens para longe de casa sejam, tanto quanto possível, uma parte integrante do trabalho... .

“Em sua pressa para recuperar o tempo perdido, esta geração fará aquilo que seus pais evitaram: dívidas. E dívidas, combinadas com uma economia apertada, dão origem à moderna família com duas fontes de renda. No passado, a necessidade sempre foi o fator motivador para as mães trabalharem, mas as que voltaram a trabalhar hoje são vanguarda de uma nova e poderosa mudança de atitude. Esta é a primeira geração que vai deixar o lar para manter um padrão de vida, em vez da vida propriamente dita.

“E a televisão... controlaremos a televisão. Ah, a princípio ela parecerá muito inocente e simpática. ... o lento processo de destruição será tão avançado que poucos, caso haja alguém, terão noção do que estão vendo. ...

“Na terceira década, começaremos a obter a colheita dos nossos esforços. Os jovens que cresceram sem a severa disciplina de privações pela qual seus pais passaram e que foram criados em uma cultura que dá mais valor à forma religiosa do que à sua substância descartarão os sistemas de crenças de seus pais e buscarão sentido para a vida em padrões de vida suntuosos e no ativismo social. Unidos mais pela insatisfação com o status quo do que por uma visão coerente do futuro, eles abraçarão quase qualquer conceito que seja diametralmente oposto ao sistema de comportamento ‘normal’, o qual perceberam como hipócrita na vida de seus pais. ...

“Pela metade da década, as mulheres vão inundar o mercado de trabalho. As creches vão proliferar. As crianças deixarão a companhia dos pais mais cedo do que nunca antes. ... Além de terem babás humanas, muitas crianças também crescerão diante da televisão... O número de divórcios aumentará. Com a introdução do divórcio por incompatibilidade, o que antes era considerado um vergonhoso fracasso passará a ser uma opção aceitável. Podemos começar a apresentar a idéia de ‘morar junto’ para milhares de pessoas. É lógico que, ao virem a devastação causada pelo divórcio, eles começarão a perguntar-se que diferença faz um pedaço de papel.

“Façam todo o esforço para que nada seja considerado tabu ou fora dos limites. Crimes horrorosos, uso de drogas, imoralidade e até mesmo o homossexualismo poderão ser explorados abertamente na mídia, deixando as mentes insensíveis para futuras incursões ...

“Para coroar a década, tentem os líderes máximos para que quebrem a lei e depois mintam para disfarçar... Isso vai criar uma atmosfera de caos e, em meio à tempestade de controvérsias, o povo verá que os antigos padrões em que baseava sua conduta foram postos de lado, deixando-o à deriva na maré da mudança cultural.

“Vejam que o povo estará tão degradado e desgostoso que entrará na quarta década do nosso plano completamente inconsciente do abismo para onde o estamos levando. A crise desestabilizou os indivíduos, e agora devemos ir devagar ou eles perceberão o perigo que estão correndo e poderão voltar-se para Deus. ...

“Este será o momento de usar a forma humana para seduzi-los ao pecado e à idolatria, exatamente como fizemos com o antigo Israel, só que aceleraremos o programa e daremos mais velocidade ao processo. Todos os programas de televisão, revistas e outdoors estarão saturados com imagens que sugiram pensamentos impuros. Ainda não é preciso que sejam explícitas, pois a maior parte da mídia pode restringir as imagens, mas dá para passar nossa mensagem com atividades imorais subentendidas. ...

“A violência e o crime aumentarão. As pessoas assistirão aos noticiários, os quais estarão saturados da mesma fascinação repugnante agora reservada aos filmes e cheios dos mesmos vergonhosos e destrutivos crimes.

“Ao mesmo tempo em que mantemos os cidadãos cada vez mais estressados e apressados com os encargos da vida, façam com que mantenham o foco no futuro com vãs esperanças de que, quando este ou aquele problema temporário terminar, eles vão reduzir o ritmo e então terão mais tempo. É tudo uma ilusão...

“... Os novos casamentos se tornarão muito comuns ... e essas famílias mistas trarão mais estresse, pois sentirão a pressão econômica de ganhar mais e trabalhar por mais tempo. Por muito que tenham estudado, desejarão ter ido mais longe, passando a pressionar os filhos para tirarem as melhores notas. ... Os jovens serão incentivados a participar de um grande número de atividades fora de casa, e o cenário para a quinta década do nosso plano estará montado.

“Vejam o sucesso que vamos ter! ... Nosso plano não tem nem meio século e já podemos ver uma tremenda adesão da maioria às circunstâncias. As pessoas estão correndo muito para sequer apresentar objeções! Vão adaptar-se ao estresse e até ficar orgulhosas pela capacidade de estar excessivamente ocupadas. ...

“Os casais estarão tão atarefados que se tornarão como navios que passam durante a noite. Sem tempo para desfrutar da verdadeira intimidade, suas necessidades não preenchidas tenderão a levá-los a qualquer outro modo de realização. As crianças, tendo alimento, roupas e incontáveis brinquedos, se sentirão como se fossem pouco mais do que órfãos em seus próprios lares. ...

“Na sexta década, a família, que um dia foi o esteio da sociedade, vai desintegrar-se e, com ela, o fundamento da civilização começa a desmoronar. Ah, a ‘família’ ainda permanece, mas, tal como uma árvore podre em seu interior, com exceção dos antiquados padrões bíblicos, e é exatamente isso que queremos. ... Os poucos que se apegam àquelas crenças antiquadas são vistos como fanáticos desequilibrados, ou simplórios, dignos da pena ou desprezo por parte dos membros mais esclarecidos da sociedade.

“... Esta geração de pais receberá um dos mais desagradáveis alertas que se possa imaginar. Seus filhos começarão a manifestar a mesma hostilidade para com os pais e uns para com os outros que a sociedade manifesta em relação a eles. Mas não se preocupem; eles não vão entender esse alerta ... Eles sequer entendem as causas.

“Vejam ... sem uma bússola moral ... as coisas que antes eram evitadas tornam-se toleradas e até uma moda. Três décadas atrás, os políticos pagavam caro por improbidades públicas. Agora não é mais assim. ... O povo vai tratar um comportamento assim com pouco mais do que um entediado encolher de ombros. Um dos nossos enganos mais eficazes será levá-lo a acreditar que todo mundo faz isso. As pessoas terão caído na armadilha de acreditar que o caráter não tem a menor importância. ...

“O entretenimento chegará a seu ápice oferecendo uma impressionante variedade de opções. ... Com a internet, até mesmo uma ida à locadora de vídeos será desnecessária para conseguir cenas de paixões proibidas. Poderemos, pela primeira vez, corrompê-los até mesmo no trabalho. Qualquer um que tenha acesso a um computador poderá baixar horas de material com conteúdo, digamos, questionável ...

“Na sétima década, a sociedade e o governo, ambos construídos sobre os alicerces da família esfacelada, estarão prestes a ruir. ... Se fizermos bem o nosso trabalho, e sabemos que o faremos, a família, o último refúgio em tempo de dificuldades, estará em ruínas e exerceremos controle absoluto sobre a confusão que restar. Assim, amigos, podemos alcançar a vitória em apenas setenta anos ... .” Com o brandir de sua mão, Satanás encerra seu poderoso discurso ... com ar de triunfo ...


Assustador, não é? Mas, drasticamente, um fiel retrato da nossa sociedade. Felizmente, existem soluções.

Eu, meu marido e outros casais estamos estudando juntos esse livro, com histórias verídicas e dicas preciosíssimas de como melhorar ou mesmo reconstruir o relacionamento familiar. Pelo que já estamos colocando em prática, podemos garantir que, se devidamente aplicados, os conselhos desse livro tornarão sua família um pedacinho do Céu, como sempre foi o plano de Deus. Junte-se a nós!

Marily Sales dos Reis