quinta-feira, novembro 02, 2006

A força da convivência

Ser jovem nos dias de hoje não é nada fácil. Talvez em nenhuma outra época da história tenha sido tão difícil. As prateleiras dos maus pensamentos e maus hábitos estão cheias e nos aguardando em cada esquina da vida. Não precisamos andar muito para ser desafiados e colocados em prova: ligamos a TV e lá está o “mundão” a nos sugerir (quase impondo) seu estilo de vida; giramos o dial do rádio e (descontando algumas raras estações) só encontramos músicas sem sentido para quem procura viver um estilo de vida cristão; acessamos a internet e, se não formos bastante objetivos, esbarramos em lixo de toda espécie.

De fato, a tentação está aí. Satanás sabe que dispõe de pouquíssimo tempo e está usando suas últimas e mais poderosas “cartas” para enredar o maior número possível de pessoas. Parece até um contra-senso João ter escrito que nós, jovens, somos fortes (ver I João 2:14) quando, na verdade, na maioria das vezes nos sentimos como um mosquito no olho de um furacão.

Mas, ao mesmo tempo em que o sentimento de impotência frente às insinuações do maligno é algo perfeitamente normal para nós – meros mortais dependentes –, é digno de nota o fato de Deus ter registrado nas Escrituras Sagradas a história de jovens que, como todos os demais de todas as épocas, passaram por provas aparentemente impossíveis de ser vencidas.

E, mesmo vivendo em dias tão probantes, temos que admitir que as dificuldades pelas quais alguns jovens da Bíblia passaram excedem em muito àquelas pelas quais passamos. Afinal, o que é um vestibular no sábado, a vontade de usar uma roupa insinuante, uma garota ímpia e sedutora, uma leitura ou filme impróprios e atrativos, um copo de cerveja etc., comparados ao fato de ser separado da família e levado cativo por um povo estranho e pagão, ameaçado de morte numa fornalha ardente, ser tentado por uma jovem mulher casada quando ninguém está olhando... “Ah, mas eles eram jovens santos, especiais”, pode dizer ou pensar alguém. Mas lembre-se: “O que homens fizeram, homens podem fazer.” Eram jovens santos, sim. Mas sujeitos às mesmas tentações e carentes das mesmas necessidades básicas que nós. Qual o segredo deles, então?

A vitória e seus segredos

Se houve um jovem que poderia reclamar do que a vida lhe reservou, esse era José. Era um garoto mimado e “acostumado à ternura dos cuidados de seu pai” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, p. 215). Tinha tudo o que queria. Mas um dia a calamidade bateu-lhe à porta. Os irmãos, enciumados, venderam-no a uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade.

No Egito, foi novamente vendido – dessa vez ao oficial do Faraó e capitão da guarda, Potifar. E os problemas de José estavam apenas começando.

Imagine-se naquela situação. Arrancado do lar paterno e levado para uma terra estranha – e como escravo. Mesmo assim, na casa de Potifar, “José não se envergonhava da religião de seus pais, e não fazia esforços para esconder o fato de ser adorador de Jeová” (Ibidem, p. 216).

Esse era o segredo de José: fidelidade a Deus e aos ensinos de seus pais. Mesmo assim, isso não o isentava de problemas. Acusado de assédio pela esposa de Potifar, foi levado ao cárcere (teria sido morto se Potifar acreditasse na esposa infiel). Uma vez mais o jovem hebreu tinha motivos para reclamar de Deus. Mas não. Deixou-se usar por Ele lá na prisão também. Deu bom testemunho mesmo naquela situação difícil. E, tempos depois, reconhecidas suas capacidades e retidão de caráter, o faraó lhe disse: “Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo” (Gênesis 41:40).

Tremenda guinada! De escravo encarcerado a governador. E aí se vê que aquele jovem realmente mantinha uma viva união com o Céu, pois seu caráter “resistiu de modo semelhante à prova da adversidade e da prosperidade” (Ibidem, p. 222). Quando pobre, fez de Deus seu maior tesouro. Quando rico e poderoso, podendo dar lugar à vingança e usufruir de todos os prazeres concebíveis, pensou apenas no bem que poderia fazer ao povo e em como poderia honrar o nome de seu Deus.

Um jovem de valor, fiel em todas as circunstâncias e, no entanto, essencialmente igual a qualquer outro, inclusive a você.

Fidelidade recompensada

Daniel e seus três amigos hebreus viveram momentos semelhantes aos de José. Foram igualmente feitos cativos por um povo pagão, os babilônios. Em Babilônia, foram submetidos às mais diversas tentações e venceram, mesmo em face da morte.

O segredo? “Três vezes ao dia [Daniel] se punha de joelhos, orava e dava graças diante do seu Deus” (Daniel 6:10). Além disso, sabia que “nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras” (Ellen White, Caminho a Cristo, p. 90).

Oração aliada ao estudo da Bíblia. A fórmula é antiga, mas não existe outra. Aqui reside a fonte de poder para vencer o mal. Se essas duas coisas não lhe são espontâneas ou agradáveis, peça a Deus para o ajudar. Lembre-se do jovem Daniel e de que “ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Ellen White, Santificação, p. 19).

Ellen White, no livro Mensagens aos Jovens, p. 349, diz ainda que jamais poderemos “conseguir um bom caráter só com o desejá-lo. Isto só poderá ser obtido mediante labor”. Atenção às pequenas coisas, temperança no viver, desviar-se do mal pelo poder de Deus, fazer da Bíblia nossa leitura número um e da oração um hábito prazeroso – eis nosso “labor” diário, o segredo da vitória, se quisermos de fato vencer.

Transformado pela convivência

Quantas vezes nos damos conta de estar falando ou agindo de modo semelhante ao das pessoas com as quais convivemos mais intimamente. Isso é perfeitamente natural. Cônjuges, com o tempo, acabam se assemelhando em muitos aspectos (passei a gostar mais de manga e de animais graças à minha esposa). É o resultado da convivência.

João era um jovem muito nervoso. Fora até apelidado de “Filho do Trovão”. Ai daquele que se atravessasse em seu caminho nos maus dias. Mas quando conheceu a Cristo, algo interessante foi acontecendo. João “se achegava a Jesus, sentava a Seu lado, recostava-se-Lhe ao peito. Assim como a flor sorve o orvalho e a luz, bebia ele da luz e vida divinas. Contemplou o Salvador em adoração e amor, até que a semelhança de Cristo e comunhão com Ele se tornaram seu único desejo, e em seu caráter se refletiu o caráter do Mestre” (Ellen White, Educação, p. 87). De Filho do Trovão a Discípulo do Amor!

Convivência. Essa é a solução para os nossos defeitos de caráter. “Todas as nossas esperanças atuais e futuras dependem de nossa relação com Cristo e com Deus” (Ellen White, Review and Herald, 19 de agosto de 1909). Buscar a vitória sobre o pecado sem a comunhão com Cristo é tentar o impossível. À medida que nos aproximamos de Jesus, vamos sendo paulatinamente transformados à Sua semelhança.

Jovens como Timóteo, Ellen White, Loughborough, Andrews e outros, tiveram também suas duras experiências na vida, mas venceram. Seria redundante mencionar o segredo da vitória deles, pois foi o mesmo de João, Daniel e José: amizade íntima com Cristo.

Lembro-me com tristeza de um jovem chamado William, que ajudei a levar a Cristo. Foi emocionante ver como ele abraçou a verdade de forma tão empolgada. Leu o livro O Grande Conflito em pouco tempo, gostava de fazer a Lição da Escola Sabatina e acompanhar-me em estudos bíblicos. Mas com o tempo algo foi acontecendo. William não tinha mais tanto prazer em assistir aos cultos e voltou a se associar aos antigos amigos “de fora” da Igreja. Como eu fazia faculdade em outra cidade, nos víamos pouco. E William acabou abandonando a Igreja.

Na última vez que nos encontramos, ele me disse o seguinte: “Sinto-me como uma formiga fora do formigueiro.” E ele estava certo. Aqueles que um dia conheceram a verdade e tiveram um vislumbre – por menor que seja – da Pessoa maravilhosa de Jesus e O abandonaram, ainda que não admitam, jamais serão felizes. Devem voltar a Cristo ou, do contrário, serão “formigas fora do formigueiro”.

Se você que está lendo este artigo se sente longe de Cristo (quer esteja na Igreja ou não), lembre-se: seres humanos como você, hoje e no passado, venceram e vencem pela convivência diária com Cristo. Volte-se para Deus agora. Peça-Lhe perdão e forças para vencer. Seja um jovem de valor, pois o Senhor tem grandes planos para você.

Michelson Borges, jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e mantenedor do blog www.michelsonborges.com

Um comentário:

luciano prestes disse...

achei muito interessante a matéria o qual foi publicada. convido a vós todos a participarem da comunidade do senhor jesus cristo o qual são postados apenas testemunhos de vida. te esperamos DEUS ABENÇOE...http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=22448682 copie este link pro teu navegador ... até +