sexta-feira, dezembro 19, 2008

"Bibliologia molecular"


Tudo começou com o curso “Capacitação para professores de Biologia no âmbito da Microbiologia, Virologia e Imunologia”. Era um curso de duas semanas, de segunda a sábado. Como observo o sétimo dia como sagrado, fui pedir para ser dispensada nesse dia. Falei com o coordenador do curso e do Departamento de Virologia e Imunologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, professor Maulori Curié Cabral. Ele me pediu para explicar as doutrinas adventistas e eu o fiz em tempo recorde: 30 minutos! Então ele me perguntou como eu poderia acreditar na Bíblia e ainda iniciar a carreira científica (eu estava fazendo o mestrado na Escola de Química da UFRJ). Eu lhe disse que não havia problema algum; que uma complementava a outra. Ele deu um pulo, dizendo que isso era um absurdo, pois a Bíblia, segundo ele, é um compêndio de dogmas religiosos, enquanto a Ciência está baseada em fatos observáveis e reprodutíveis. Como ele estava sem tempo, disse-lhe que em outra oportunidade poderíamos conversar mais sobre o assunto. Ele concordou, e disse que iria pensar sobre o meu pedido.

No dia seguinte, a professora Maria Isabel estava falando sobre Microbiologia e contou um fato que é clássico nesse campo do conhecimento: o problema com o Hospital Geral de Viena, de 1844 a 1848, onde mulheres saudáveis, prontas para dar à luz, morriam logo após o parto. Um médico húngaro Iguaz Semmelweis, observando o fato, levantou como última hipótese (depois de tentar muitas outras) que os médicos deveriam desinfectar as mãos depois de realizar dissecações na sala de autópsia e antes de examinar as mulheres em trabalho de parto. Após este cuidado, as mortes foram reduzidas drasticamente. Nesse momento, o professor Maulori estava sentado atrás de mim. Virei-me e disse para ele que Semmelweis não tinha descoberto nada de novo, já que a Bíblia dizia isso há 3.500 anos. Mais uma vez ele se exaltou e perguntou: “Mas a Bíblia não é um livro que contém apenas dogmas religiosos?” Então perguntei se ele já havia lido a Bíblia alguma vez. Diante da sua negativa, tornei a perguntar: “Como, então, o senhor pode afirmar uma coisa dessas sem tê-la lido uma única vez?” Em seguida, ele me pediu para mostrar os textos bíblicos que falavam sobre este assunto.

No dia seguinte, levei não apenas os textos bíblicos, como também textos da escritora Ellen White. Ele ficou impressionado com o que leu, e se referiu à Bíblia como um “Tratado de Microbiologia Geral”. Disse ainda que os escritos da Sra. White eram de “alta cientificidade” – na época em que Pasteur, na França, publicava seus experimentos lançando as bases da Microbiologia!

Bem, sabemos que a comunicação científica na época de Pasteur era bem lenta. Portanto, quando eu disse ao professor que Ellen não tinha completado a 3ª série primária, ele respondeu que isso não era importante; bastava que o pai dela fosse médico. Então lhe disse que o pai dela era chapeleiro. Então, ele perguntou sobre a mãe de Ellen. Ao saber que ela era dona de casa, indagou: “Então, como ela soube dessas coisas?” Respondi que acreditamos que Deus transmitiu todo esse conhecimento a ela.

Lembrei-lhe que certa vez a Dra. Mirtha Eiroa havia levantado a questão quanto aos textos bíblicos. Ela disse num curso de toxi-infecções de origem alimentar que a Bíblia continha os primeiros registros sobre prevenção de contaminações microbianas. “Ninguém sabe como o povo hebreu teve acesso a tantas e tão precisas informações, mas pelo fato de terem levado a efeito essas instruções, não foram destruídos enquanto passavam pelo deserto”, afirmou ela. Disse ao professor Maulori que o mesmo Deus que dera as instruções para o povo hebreu, deu-as para Ellen White. Então ele respondeu: “Não tem como não acreditar.” E completou: “Menina, gostei de você; quero saber essas coisas que você sabe.”

Então o convidei (na verdade o desafiei) a estudar a Bíblia, e ele concordou. Ele começou se dizendo cético, para não dizer ateu. Estudamos as Escrituras durante dois anos e meio. Esquadrinhamos cada texto sobre Microbiologia, depois as profecias de Daniel, e então começamos o curso “Seminário do Apocalipse”. Enquanto estudávamos, ele me disse que estávamos certos em guardar o sábado, pois o ciclo de sete dias, na verdade, é o próprio ciclo biológico. Nenhuma virose ou infecção dura mais do que sete dias. Portanto, fazia sentido guardar o sábado (incluindo os animais, indicados na lei) para que todos os organismos complexos possam renovar suas células. Então lembrei-lhe que tinha dito exatamente isso quando ele me perguntou sobre minha escolha em seguir a carreira científica ou a Bíblia; que uma completa a outra!

Ele ficava cada vez mais encantado com o que aprendia. Chamava-me de “professora de Bibliologia Molecular”. Muitas vezes, quando levava-lhe os resultados dos experimentos para discutirmos, encontrava-o repetindo todo o estudo bíblico para a professora Maria Isabel e para uma aluna de mestrado. Uma vez, a professora Maria Isabel me disse que eu estava fazendo “milagres”, ao conseguir que o professor Maulori estudasse a Bíblia. E tem mais, ele estava agora apresentando aqueles textos bíblicos sobre Microbiologia para as suas turmas de graduação e pós-graduação!

Um dia, ele me perguntou sobre o Espírito Santo. Dei a explicação que normalmente costumamos dar, mas ele não se convenceu. Então achamos melhor continuar o estudo, e mais tarde voltar ao assunto. Em determinado momento, ele me interrompeu e, com olhos umedecidos, disse: “Quando aceitei o desafio de estudar a Bíblia, sabe qual era a minha intenção? Desestruturar seu credo. Mostrar que você estava atrelada a dogmas religiosos e, como tal, não poderia continuar na carreira científica. Eu seria o primeiro a te reprovar na defesa de tese; não precisaria nem me convidar para a banca, pois já saberia o resultado. Mas agora, acredito que a Bíblia é a verdade, e a única regra de fé e prática. Hoje, quem está desestruturado sou eu, e estou mais propenso a abrir mão do meu credo e aceitar o seu.” Então lhe disse: “Isso é o Espírito Santo atuando no senhor; esse é o trabalho dEle!” E ele acrescentou: “É bem provável; agora entendi o que é o Espírito Santo!”

Ele sempre me cobra a conclusão do estudo do Apocalipse, já que paramos na lição nº 13, pois passei em dois concursos que somam 56 horas, e comecei a trabalhar do outro lado da cidade. Não tinha mais como ir à universidade estudar com ele. Numa das últimas conversas que tivemos, ele, além de cobrar o estudo, disse-me que estava arrumando o horário na universidade para começar a guardar o sábado. Agora, só é preciso que alguém termine o estudo com ele e que ele tome a decisão final.

Em tempo: o professor Maulori fez parte da minha banca de tese. E fui aprovada com louvor!

Nádia Britto Panaino

(Detalhe: Nádia foi dispensada das aulas de sábado. E o professor Maulori reorganizou o curso de forma que ela não perdesse aula alguma, ou seja, as aulas de sábado foram alocadas na semana, e todos os alunos foram dispensados do sábado. Ele ainda explicou para a turma que estava fazendo aquilo por conta das convicções religiosas de Nádia.)

[Testemunho publicado no blog do Michelson Borges.]

5 comentários:

Valter Cândido disse...

Muito oportuno o testemunho da Nádia B. Panaino, o episódio elucida e ratifica pelo menos três verdades:

1)Preparo para o testemunho eficaz (I Pedro 3:15 e 16): Diariamente devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Deus, e isso não apenas para o nosso próprio benefício, mas àqueles como quem entramos em contato, não podemos viver para nós mesmos;

2)A Luz é gradativa (Prov. 4:18), muito embora no início o professor se mostrou cético, não pode resistir por muito tempo as evidências bíblicas, e ao que tudo indica, ainda hoje é sensível aos reclamos do Espírito Santo;

3)No princípio criou Deus...: neste caso, Ele criou a oportunidade (S. João 4:23). Às vezes invertemos os papéis, mas verdadeiramente é Deus quem está no controle das coisas, e quando lhe damos permissão para dirigir nossa vida, podemos perceber que os Seus planos são melhores e que, finalmente, Ele dá muito mais do que pedimos e/ou imaginamos.
Louvado seja o Nosso Senhor !

RODNEI disse...

NADIA,
VC REALMENTE ME SURPREENDE!!!
ADOREI SEU BLOG.
GOSTARIA MUITO DE PODER TER CONTATO COM VC NOVAMENTE.
fUI SEU ALUNO NA ESCOLA TECNICA- FAETEC NO RIO DE JANEIRO DO CURSO DE SEGURANÇA DO TRABALHO.SOU ALUNO DO CURSO DE ENGEHARIA QUIMICA NA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO.TENTO APLICAR TUDO AQUILO QUE APRENDI COM MINHA MESTRE.
MEU CONTATO É: r_santossafety@hotmail.com

UM GRANDE ABRAÇO.

RODNEI SANTOS

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