sexta-feira, dezembro 19, 2008

Uma carona que caiu do Céu

Não gosto muito de escrever, mas me sinto na obrigação de contar o que aconteceu comigo na última quinta-feira, 7 de junho de 2007. Nesse feriado, estava marcado o Adolecamp da Associação Paulista Central da IASD [acampamento de adolescentes], e eu estava inscrita para o evento. Me inscrevi com o pessoal de Jundiaí, mas,como seria na cidade de Leme, não poderia ir com eles, pois não era caminho. Tentei entrar em contato com várias pessoas aqui do Unasp durante a semana para que eu pudesse ir com eles, mas nada dava certo. Mesmo assim, eu não deixaria de ir no Adolecamp.

Resolvi ir de ônibus de linha mesmo, sozinha. Fui até Limeira e peguei o ônibus rumo à cidade de Leme. Na minha ficha de inscrição, estava escrito que a Estância dos Jequitibás era na Rodovia Anhangüera, km 189. Beleza! Desci no quilômetro indicado, com minha mala e uma barraca. Até aí tudo bem, mas nada de ver a tal estância quando desci do ônibus. Comecei a ficar apavorada, sozinha, com mala, barraca, sem saber onde era o tal lugar. Tentei ligar para os meus amigos que estavam lá no local, para saber onde era exatamente, mas nenhum celular estava na área de cobertura.

Saí da rodovia e entrei na cidade. Passou um cara e mexeu comigo; fiquei com mais medo ainda. Cheguei a uma praça e perguntei para algumas pessoas se sabiam me informar onde era a Estância dos Jequitibás. Ninguém sabia. Tentei ligar para meu pai, minha mãe, sei lá, já não sabia mais o que fazer. Estava até pensando em voltar para a rodovia e voltar para casa. O problema é que não sabia nem o horário em que passaria ônibus e teria que ficar esperando sozinha na pista, o que seria bem perigoso.

Continuei perguntando para as pessoas na rua, e nada. Eu estava muito nervosa, com medo, chorava e orava... Meu Deus, me ajuda! O que eu estou fazendo aqui? Me indicaram um posto de gasolina no fim da rua; talvez os frentistas soubessem onde era o local.

Continuei caminhando, já estava cansada. Cheguei lá ainda com esperança de que estivesse perto e que eles soubessem onde era a estância. Perguntei, e eles falaram que nunca tinham ouvido falar sobre essa estância e que, inclusive, já haviam passado várias pessoas perguntando em vans, carros e ônibus. Pronto, eu estava perdida! Eles sugeriram que eu atravessasse a Anhangüera e fosse até a delegacia, mais ou menos a um quilômetro dali. Lá, com certeza, eles poderiam me informar. Mas como eu iria até lá? Já não agüentava mais. Saí chorando e orando.

Minha última chance, pensei. Vou até lá, eles me falam onde é a estância e peço para me levarem até o local. De repente, encostou um carro na minha frente (nem lembro que carro era), com um homem de aparentemente 25 ou 30 anos, estatura média, cabelos castanhos claros e olhos verdes. Perguntou: "Moça, aonde você está indo?" Bom, falei com toda felicidade: "Para a estância dos Jequitibás! Você sabe onde fica?" Ele respondeu: "Não, mas podemos descobrir." Então eu falei que estava indo lá na delegacia para perguntar. E ele disse: "Entra. Eu te dou uma carona."

Naquele momento, fiquei em dúvida: aceitava ou não? Mas ou era aquilo ou nada. Será que eu devia arriscar? Aqui no Unasp estamos acostumados a pegar carona, mas com pessoas conhecidas, carros identificados com adesivos; o local é conhecido e geralmente estamos acompanhados. Agora era diferente. Era um lugar estranho, uma pessoa estranha, e eu estava sozinha. Bem, olhei bem para ele, pensei, e tive que confiar em Deus. Falei: "Tudo bem, eu aceito." Entrei no carro, ele colocou minha mala e a barraca no banco de trás e fomos até a delegacia (e eu supernervosa).

Quando chegamos, ele disse: "Vou descer pra perguntar com você." O policial nos informou que a Estância dos Jequitibás ficava no km 199, ou seja, 10 km para frente. Voltamos para o carro. O homem falou: "Eu te levo lá." Eu não teria condições de caminhar aquilo tudo; então aceitei, mas fiquei um tanto receosa. Ele disse que estava indo para tal cidade (nem lembro qual). Perguntei se era caminho para ele me levar. Ele falou: "Não, não é caminho, mas eu te levo."

No trajeto, me passava tudo de mal pela cabeça. Já pensou se ele me levasse para outro lugar? Abusasse de mim? Eu não falava nada, apenas respondia o que ele me perguntava; não queria dar muitas informações a meu respeito.

Quando chegamos ao quilômetro indicado, vi uma plaquinha com a inscrição "Adolecamp". Falei para ele que era ali, então ele entrou na estrada. Mas mal sabia eu que ainda tinha um trecho de terra bem grande pela frente. Quando ele entrou naquela estradinha, aí sim meu coração disparou. Eu estava mais do que com medo e não parava de orar por um minuto sequer. Estava atenta a cada nova placa e não via a hora de chegar ao local do acampamento. Estava com medo de que ele não seguisse a informação da placa e acabasse me levando para outro lugar, já que a estrada era repleta de bifurcações.

Foram mais ou menos uns 8 km de estrada de chão, e parece que passamos uma hora naquela estradinha, com muitos canaviais em volta. Enfim, chegamos! Pude avistar o acampamento e a entrada dele. Falei para o rapaz que ele podia me deixar ali na entrada mesmo, e ele falou: "Não! Eu vou te deixar lá dentro." Tudo bem, agora acho que ele não iria fazer nada comigo mesmo. Entramos, ele parou o carro perto de um quiosque, desceu minha bagagem e se dirigiu até mim. Eu, com um sorriso no rosto, mais do que feliz... Afinal, agora estava a salvo dentro do local do acampamento. Falei para ele: "Puxa, eu não sei nem como agradecer! Valeu mesmo! Muito obrigada!" E ele, com um sorriso no rosto, simplesmente respondeu: "Você precisa acreditar em anjos! Eles existem!"

Naquele momento, não vi mais nada, fechei os olhos, comecei a chorar e agradecer a proteção de Deus.

Só no dia seguinte consegui entrar em contato com minha mãe através do celular. Contei toda a história para ela. No mesmo instante, minha mãe disse: "Ellen, era um anjo!" Eu falei: "Eu também acho mãe, mas talvez tenha sido só uma pessoa de coração bom." Então ela rebateu: "Era um anjo, sim! Todos os dias eu oro por ti; e ontem pela manhã eu estava preocupada de como você iria até o acampamento, e eu orei pedindo que os anjos te acompanhassem."

Se eu tinha alguma dúvida, agora estava tudo bem claro para mim. Novamente comecei a chorar e agradecer a Deus. Acredito que Deus enviou um anjo para me cuidar e me levar até o local do acampamento.

Sabe? Nasci num lar adventista, escutei vários testemunhos durante minha vida e sempre parava para pensar: "Ah, isso nunca vai acontecer comigo, só acontece com os outros. Será que algum dia terei um testemunho para contar?" Pois agora eu tinha. E ele era real! Deus, com certeza, guia nossa vida da melhor forma, sempre. Podemos não entender agora, mas Ele sabe o que é melhor para cada um de nós. Agora entendo por que deu tudo errado pra eu conseguir um modo de ir para o Adolecamp; por que não consegui falar com ninguém pelo celular enquanto estava perdida; por que Deus quis que eu fosse ao Adolecamp, mesmo sem ter idade para isso. Deus tinha um plano para mim. Talvez eu tenha ido nesse acampamento só para passar por essa experiência. Talvez tenha ido para fortalecer mais minha fé em Deus. Talvez para contar minha experiência para todos os acampantes no encerramento do Adolecamp. Talvez para contar aos outros, não sei, mas Deus com certeza sabe.

Muito obrigada, Senhor, por Tua proteção! Obrigada porque Tu nunca deixarás Teus filhos desamparados. Tu tens um plano para cada um de nós. Obrigada, Senhor!

Ellen Silva dos Reis, estudante de Pedagogia no Unasp (e minha cunhadinha).

Um comentário:

Rodrigo Machado disse...

Boa tarde:
É tão confortador saber que onde quer que estejamos existe um ser celestial ao nosso lado. Isso também deveria nos trazer muito cuidado com a maneira que andamos, como nos vestimos e que falamos também.
Deveríamos falar mais sobre os anjos. Eu mesmo gostaria muito de saber qual o nome do meu anjo... e um dia saberei.